Ramallah (Cisjordânia) - O Parlamento (Conselho Legislativo Palestino) dominado pelo movimento islâmico Hamas será empossado hoje pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que pede que o grupo radical honre todos os acordos com Israel.
O grupo radical islâmico, que defende a destruição de Israel e participou das eleições legislativas pela primeira vez, tirou o Fatah do poder, obtendo 74 das 132 cadeiras, contra 45 do partido de Abbas.
Depois de o novo Parlamento entrar em função - o segundo empossado pela Autoridade Palestina desde 1994 -, Abbas passará a responsabilidade da formação de um novo governo ao primeiro-ministro eleito pelo Hamas. Tudo leva a crer que o escolhido será Ismail Haniya, que é descrito como um líder ''pragmático''.
A abertura do novo Parlamento será feita na sede da Autoridade Palestina em Ramallah, o que significa que os líderes do Hamas em Gaza, proibidos por Israel de viajar à Cisjordânia, terão de participar do evento através de videoconferência.
Embora Abbas deva reforçar em seu discurso o compromisso de retomar as negociações de paz, Israel planeja implementar uma série de medidas econômicas contra a Autoridade Palestina, como limitar o número de trabalhadores palestinos e de bens que entram em Israel, além de congelar a transferência de fundos provenientes dos impostos - cerca de 50 milhões de dólares por mês - de produtos importados que trafegam por ser território.
Haniya condenou os planos de Israel como sendo ''parte da política de repressão, terrorismo e punição coletiva contra seu povo''. Já a ministra de Relações Exteriores Tzipi Livni, disse que, assim que o novo Parlamento tomar posse, Israel vai considerar a Autoridade Palestina ''uma entidade terrorista''.
O Hamas já escolheu um porta-voz para o Parlamento, Aziz Duweik, professor de geografia de Hebron. Em seu discurso, Abbas deve pedir com firmeza que o novo governo honre os acordos com Israel, incluindo os Acordos de Oslo de 993, que são rejeitados pelo movimento islâmico.
Abbas também pedirá respeito ao Mapa do Caminho, elaborado por União Européia, Estados Unidos, Rússia e ONU e lançado em 2003, que prevê a instalação de um Estado palestino ao lado de Israel.
No início do mês, o presidente russo, Vladimir Putin, surpreendeu Washington e enfureceu Israel ao convidar o Hamas para uma visita a Moscou.

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