‘‘Vou ser presidente do Peru’’, afirmou ontem o candidato de oposição à presidência deste país, Alejandro Toledo, durante um ato organizado pela oposição peruana no Círculo de Belas-Artes de Madri. Toledo chegou ontem à capital da Espanha, e hoje ele se reúne com o presidente do Governo espanhol, José María Aznar, para discutir as eleições presidenciais peruanas, em que Alberto Fujimori foi reeleito.
Fujimori tomará posse pela terceira vez consecutiva em 28 de julho, mas, dois dias antes, ‘‘os peruanos de diferentes regiões farão uma marcha até Lima’’, para impedir a cerimônia, disse o candidato da aliança Peru Possível.
Toledo lembrou Jesús María Pedrosa Urkiza, vereador do Partido Popular espanhol, assassinado ontem pela organização separatista armada basca ETA. Assim como ‘‘os espanhóis estão tentando se livrar do ETA, que tenta impor uma ditadura, os peruanos estão tentando se libertar de Fujimori’’, disse o líder da Peru Possível.
Toledo acrescentou que sua visita à Espanha faz parte de uma campanha por ‘‘um terceiro turno eleitoral democrático’’, já que, tanto a Espanha quanto o resto da Europa, têm um papel importante ‘‘na tarefa de resgatar a democracia para os peruanos’’, afirmou.
No Canadá, a comissão de direitos humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu ontem aos chanceleres do hemisfério, reunidos em Windsor, para analisar a polêmica eleitoral do Peru como ‘‘interrupção do processo democrático no país’’.
O pedido significa que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos considera que as violações provocadas pelas autoridades peruanas, antes e durante os dois turnos da eleição presidencial devem ser julgadas como caso de emergência, que prevê sanções ao Estado membro infrator.
A informação foi divulgada horas antes da abertura da 30ª Assembléia Geral da OEA. As eleições peruanas deverão ser debatidas pelos países membros nesta segunda-feira.

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