Os peruanos irão para um segunda turno eleitoral, para eleger um novo presidente entre o economista Alejandro Toledo e o ex-presidente Alan García, segundo pesquisas de ‘boca de urna’ de quatro empresas privadas, divulgadas ontem logo após o término oficial da votação.
A empresa Analistas e Consultores deu a Toledo 41,6%, a García 25,4% e a Flores 21,8%. Para a Datum, Toledo alcançou 43%, García 26% e Flores 21%, enquanto a Apoyo concede 40,1% para Toledo, 24,3% para García e 22,8% para Flores.
As margens de erro das pesquisas, realizadas na saída dos centros de votação em todo o país, ficam entre 2 e 3%, de acordo com as empresas.
As mesas de votação foram fechadas às 16 horas locais (18 horas de Brasília), encerrando o processo eleitoral no qual 15 milhões de cidadãos compareceram às urnas para eleger um novo presidente. Funcionários eleitorais informaram extra-oficialmente, que o segundo turno deve realizar-se em 20 ou 27 de maio.
O candidato Alejandro Toledo, líder das pesquisas, afirmou que as eleições gerais que se realizam no Peru constituem uma festa e um triunfo para todos os peruanos. Ele assinalou que os peruanos chegam a estas eleições depois de uma ‘‘luta longa e custosa para recuperar a democracia’’, após dez anos de governo do ex- presidente Alberto Fujimori, destituído em novembro passado.
Já o ex-presidente peruano Alan García disse que passou para o segundo turno das eleições peruanas, ‘‘confirmando as projeções’’ feitas nas últimas semanas. Em uma entrevista coletiva depois do encerramento da votação, García deixou aberta a possibilidade de que ‘‘por mistérios da estatística’’ seja derrotado pela candidata Lourdes Flores na contagem oficial dos votos.
‘‘Se der ela, serei um dos primeiros a felicitar a doutora Flores’’, garantiu o líder do Partido Aprista Peruano, que insistiu que seus cálculos o colocam no segundo turno contra Alejandro Toledo, do Peru Possível.
Alguns organismos de observação eleitoral que estiveram no Peru manifestaram preocupação com o sistema informatizado do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe, pelas iniciais em espanhol), que apresentou problemas de mau funcionamento em alguns testes. O software escolhido pela instituição não identificava, em alguns casos, o número da mesa de escrutínio da qual transmitia os dados.
Mesmo assim, o chefe da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), o guatemalteco Eduardo Stein, assegurou que as eventuais falhas técnicas não comprometeriam a lisura das eleições. Stein reuniu-se ontem com o presidente interino do Peru, Valentín Paniagua, que assumiu o poder após a destituição de Alberto Fujimori, em novembro.
Durante o encontro, Paniagua agradeceu a atuação de Stein no Peru, afirmando que ‘‘a democracia latino-americana’’ devia muito a ele – referindo-se ao conturbado processo eleitoral do ano passado, que conferiu a Fujimori o direito de exercer um terceiro mandato consecutivo, mas foi qualificado de ‘‘irregular’’ por Stein. Um escândalo – aberto com a exibição de um vídeo no qual o hoje foragido ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos aparecia subornando um deputado da oposição – acabou causando a destituição de Fujimori, que se exilou no Japão.

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