Toledo convoca peruanos a impedir a posse de Fujimori
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de junho de 2000
France Presse e Associated Press De Lima 
O ex-candidato da oposição Alejandro Toledo convocou ontem os peruanos a uma grande mobilização em Lima no dia 26 de julho, para impedir a que o presidente reeleito Alberto Fujimori tome posse, no dia 28 de julho.
Impediremos, com milhares de pessoas nas ruas, que em 28 de julho se instale um governo ilegítimo, disse Toledo em uma entrevista coletiva depois que Fujimori foi declarado oficialmente vencedor da eleição, com 51,20% dos votos, contra 17,68% para Toledo. Houve 140.773 votos em branco e os nulos atingiram 29,93%.
O ex-candidato desconheceu os resultados finais e anunciou que ontem mesmo iniciaria uma viagem pelo país para manter em pé a rebeldia pacífica contra o que chamou de fraude institucionalizada.
Depois de rejeitar a ingerência dos Estados Unidos em assuntos internos peruanos em reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizada anteontem em Washington, o governo brasileiro quer agora que o presidente Alberto Fujimori, reeleito para seu terceiro mandato, faça as reformas políticas necessárias para enquadrar o Peru nos padrões democráticos que vigoram na região latino-americana.
O chanceler Luiz Felipe Lampreia, em entrevista ao Grupo Estado, cobrou as reformas democráticas que agora se espera do vizinho Peru.
Creio que uma vez concluída a eleição, que foi traumática, a lição principal é que o governo peruano certamente precisa de se concentrar em fazer do Peru um país mais democrático do que vem sendo e um país que se enquadre plenamente dentro das concepções democráticas que vigoram na região, declarou.
Segundo ele, o próprio presidente Fujimori deu declarações de que tomou consciência da necessidade de reformar algumas coisas na política de seu país e daqui por diante terá essa tarefa como prioritária.
Na próxima semana, o Conselho Permanente da OEA, no Canadá, deverá discutir a criação de um fundo especial voluntário de financiamento de ações para o fortalecimento da democracia.


