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domingo, 21 de junho de 2009
Folhapress 
São Paulo- Cresceram ontem as manifestações de cisão na elite política e religiosa do Irã, um dia depois dos mais violentos choques entre policiais e manifestantes desde a proclamação do resultado, questionado pela oposição, da eleição presidencial de 12 de junho.
A TV estatal informou também ontem que dez pessoas morreram, e cerca de cem ficaram feridas, nos confrontos de anteontem, que se torna assim o dia mais violento ao longo da semana de protestos em que manifestantes acusam o governo iraniano de ter fraudado o processo eleitoral para permitir a reeleição do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad.
O total oficial de mortos nos confrontos desde o dia 13 é agora de 17 pessoas. Porém, a Anistia Internacional alertou que era ''perigosamente difícil'' verificar o número de vítimas. ''O clima de medo lançou uma sombra sobre toda a situação'', disse o pesquisador-chefe da Anistia no Irã, Drewery Dyke.
A forte repressão de anteontem, que contou com o apoio de milhares de policiais e milicianos acionados para evitar manifestações nas ruas, se seguiu à ordem do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, de que cessassem os protestos.
Khamenei havia alertado na sexta que novas manifestações seriam ''um erro'' e que os participantes de passeatas seriam ''responsáveis por derramamento de sangue e caos''.
Ele já declarou seu apoio à vitória de Ahmadinejad, seu aliado, e exigiu que os opositores aceitem o resultado. As dúvidas sobre o processo eleitoral emergem de relatos de sessões eleitorais com mais de 100% de comparecimento, da inesperada grande diferença de votos a favor do atual presidente e do resultado extremamente rápido da contagem de cédulas.
Antes da sua realização, analistas apontavam que o candidato reformista derrotado, Mir Hossein Mousavi, era um forte oponente para Ahmadinejad. Porém, duas horas após o fechamento das urnas, a agência estatal de notícias já declarava a reeleição do presidente. O resultado oficial deu a Ahmadinejad 63% dos votos, contra 33% de Mousavi.
Desafios
Não foram só os manifestantes de ontem que desafiaram, em atitude inédita desde a Revolução Islâmica de 1979, a ordem do líder supremo do país.
Ontem, clérigos reformistas também se manifestaram contra a repressão aos cidadãos determinada pelo governo. O ex-presidente Mohammad Khatami (1997-2005), um dos principais apoiadores de Mousavi, afirmou que a tentativa de ''impedir as pessoas de manifestar as suas demandas'' terá ''sérias consequências''.
Outra decisão que tornou explícita a divisão entre líderes políticos e religiosos reformistas e conservadores foi a da prisão anteontem, durante uma manifestação que pedia novas eleições, da filha do ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani (1989-1997) e outros quatro integrantes da família do ex-presidente foram presos. Há relatos de que os quatro tenham sido liberados, mas que a filha de Akbar permanecia detida.
Rafsanjani é o atual presidente da Assembleia dos Especialistas, órgão de 86 clérigos encarregado de selecionar e supervisionar o líder supremo.
Na escalada de restrições à liberdade de expressão no país, autoridades iranianas prenderam ontem o correspondente no país da revista Newsweek.
Outro correspondente, da rede BBC, recebeu ordens para deixar o país em no máximo 24 horas. O Ministério das Relações Exteriores acusou a mídia ocidental de ser porta-voz dos opositores.
Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras, 23 jornalistas e blogueiros iranianos já foram presos desde o início das manifestações.


