Tiroteio agrava crise na Venezuela
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de dezembro de 2002
Das Agências 
Caracas O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, protestou de forma enérgica contra o tiroteio ocorrido na noite de sexta-feira na Praça Altamira, bastião da oposição no leste de Caracas. 'Estamos manifestando nosso mais enérgico protesto contra este incidente'', disse Cabello à estatal Televisão Venezuelana.
Segundo o ministro, o tiroteio na Praça Altamira ''faz parte de uma série de acontecimentos que parece não ter fim''. Cabello pediu à população que não faça julgamentos prematuros e garantiu que o incidente será profundamente investigado pelas autoridades. E garantiu que o governo está ''comprometido'' com a apuração da verdade, que neste caso ''é urgente e imperiosa''. ''Devemos buscar o autor, a causa e as pessoas por trás deste ato''.
Ao menos três pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas no tiroteio que ocorreu durante uma manifestação da oposição ao governo do presidente Hugo Chávez. Logo após o anoitecer, quatro pessoas não identificadas teriam feito disparos no local, depois que os líderes da manifestação anunciaram a continuidade da greve geral, que chegou ao seu sexto dia.
As TVs mostravam poças de sangue e feridos sendo socorridos na praça Altamira, onde estão, desde 22 de outubro, 14 generais e almirantes que se rebelaram contra o presidente Hugo Chávez. Pessoas se atiravam ao chão para fugir do tiroteio. O corpo de uma das vítimas foi coberto com uma bandeira venezuelana. Um suspeito foi detido e levado a um hotel próximo pela polícia, para protegê-lo da multidão que tentava linchá-lo. Dezenas de pessoas também buscaram abrigo contra os tiros no hotel, que funcionava como um quartel-general dos militares rebeldes. ''Chávez é o responsável por esse crime'', gritou o general Enrique Medina Gómez para as câmeras de TV. ''Venha me pegar se for homem! Não mate a população, assassino!'', disse. Até ontem, sete pessoas haviam sido detidas.
O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), César Gaviria, que está em Caracas há um mês para tentar mediar um diálogo entre o governo e a oposição, manifestou seu repúdio aos acontecimentos e pediu uma ''pronta investigação'' para apurar as responsabilidades. Gaviria convocou ainda uma reunião de emergência da mesa de diálogo para discutir a questão.
Os Estados Unidos se manifestaram consternados com a violência que abala a Venezuela e pediram ao governo e à oposição que voltem à mesa de diálogo. ''Os Estados Unidos estão profundamente preocupados que este deplorável fato leve a uma escalada de violência e confrontos na Venezuela'' apontou um comunicado do Departamento de Estado.


