A Capital albanesa de Tirana começou lentamente a voltar ontem ao normal, quando a população atendeu a um pedido do governo e retornou ao trabalho depois de cinco dias de caos. O novo governo multipartidário criado na semana passada para restaurar a ordem após a rebelião no Sul do País, em seu primeiro decreto oficial ordenou no domingo a todo o povo para retornar ao trabalho.
Ônibus estavam circulando novamente, departamentos do governo funcionavam normalmente e as lojas reabriram pela primeira vez desde que bases militares tiveram armamentos saqueados no meio da semana e a lei das armas imperou na cidade. Escolas e universidades preparavam-se para reabrir.
Bancários apareceram para trabalhar, embora as portas dos bancos continuassem cerradas enquanto gerentes, claramente nervosos com as milhares de armas saqueadas ainda em mãos de particulares, esperavam ordens sobre se deveriam ou não reabrir.
Um porta-voz do Ministério dos Transportes disse que esperava que o aeroporto, fechado desde quinta-feira, voltasse a funcionar hoje. Na prefeitura, o vice-prefeito Buron Kaceli afirmou que alguns serviços básicos funcionaram durante a crise, particularmente aqueles envolvidos na manutenção da rede de água e eletricidade, que começou a ser reparada - um engenheiro foi morto por uma bala perdida nos distúrbios, segundo informou o vice-prefeito. Ele disse que a situação alimentícia ainda não era crítica, apesar de mercados estarem vazios, desde que as famílias fizeram estoques no início da crise.
Embora a situação esteja se acalmando, anteontem à noite uma pessoa morreu baleada em Shkodra (Norte do País) e quatro ficaram feridas, segundo fontes médicas. Desde 28 de fevereiro, quando os albaneses começaram a armar-se saqueando os depósitos do Exército, cerca de 81 pessoas morreram e 600 ficaram feridas. Calcula-se que 6 mil pessoas abandonaram o País.
Uma delegação da União Européia - que descartou uma intervenção militar estrangeira no País - era esperada ontem à tarde em Tirana para levantar as necessidades das autoridades albanesas para restabelecimento da ordem e de reativação das estruturas econômicas e administrativas.
OposiçãoO dirigente socialista Fatos Nano, indultado domingo pelo presidente Sali Berisha, voltou ontem ao cenário político pedindo a renúncia de Berisha ‘‘por razões morais’’. ‘‘Moralmente, Berisha deve responder positivamente às reivindicações da maioria dos albaneses, e agora também da comunidade internacional’’, disse, em sua primeira entrevista desde que saiu da prisão, durante a rebelião, na quinta-feira da semana pasada.
Nano, de 45 anos, foi condenado a 12 anos de prisão em 1993 por malversação de recursos de ajuda internacional à Albânia. Ele sempre negou essas acusações e se considerava um preso político.

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