Timorenses vão às urnas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de agosto de 2001
Bronwyn Curran<BR>France Presse<BR>De Dili 
Os habitantes do Timor Leste compareceram às urnas ontem para eleger sua primeira Assembléia Constituinte e lançar as bases de um Estado sobre as ruínas do território devastado e ensanguentado há dois anos, por sua decisão de tornar-se independente da Indonésia. A participação nesta consulta foi de 93%, de acordo com as primeiras estimativas da ONU, que administra e garante a segurança do território desde 1999. A votação, realizada sem incidentes, coincidiu com o segundo aniversário do plebiscito de 30 de agosto de 1999.
Cerca de 80% dos habitantes desta ex-colônia portuguesa decidiram emancipar-se depois de 24 anos do brutal domínio indonésio, o que causou sangrentas represálias das milícias que rejeitavam a independência.
Os 425 mil votantes elegerão 88 representantes entre 16 partidos e cinco candidatos independentes. Os membros da Assembléia deverão redigir uma Constituição em um prazo de 90 dias.
Os resultados serão anunciados no dia 10 de setembro.
As 248 seções eleitorais, distribuídas em 13 distritos, abriram às 7 horas locais nesta ex-colônia portuguesa anexada em 1976 pela Indonésia, sob a vigilância de 1.500 policiais das Nações Unidas e de 850 membros das forças de segurança do Timor Leste. Além disso, estavam presentes cerca de 500 observadores estrangeiros.
Os habitantes, usando seus mais bonitos sarongues (traje dos malaios), começaram a fazer fila ao amanhecer diante das seções eleitorais.
O herói da luta pela independência e ex-chefe rebelde no Timor Leste, Xanana Gusmão, de 55 anos, que anunciou no último sábado sua candidatura à Presidência desse pequeno território, votou acompanhado por sua esposa australiana e seu filho de onze meses na cidade costeira de Manatuto, situada a 35 km de Díli, a capital.
Gusmão disse que estas eleições pacíficas são um voto de confiança no futuro.


