Associated Press
e France Presse,
De Jacarta
Milícias pró-Indonésia fizeram ontem das ruas da capital do Timor Leste - que acaba de se pronunciar a favor de sua independência - um território fora-da-lei. Apavorados, milhares de timorenses começaram a fugir da ilha. Centenas deles se refugiaram no conjunto de prédios da ONU e no consulado australiano. Segundo informações de um jornalista holandês em Dili, pelo menos 145 pessoas morreram ontem em atos violentos das milícias, que não são enfrentadas pelas autoridades indonésias.
Até a residência do bispo católico Carlos Belo, Prêmio Nobel da Paz de 1996, foi atacada. As milícias incendiaram prédios da diocese e destruíram várias casas, informou a representante diplomática de Portugal em Jacarta, Ana Gomes.
Segundo ela, pelo menos cem pessoas teriam sido assassinadas entre sábado e domingo e dezenas resultaram feridas durante ataques desfechados pelos milicianos pró-Indonésia. Para líderes separatistas timorenses o total de mortos pode ultrapassar 200.
O porta-voz do Conselho Nacional da Resistência Timorense, Roque Rodrigues, disse que uma centena de pessoas foram mortas só na localidade de Same (sul do território) e outras 20, em Atsabe (oeste).
Ana Gomes ressaltou ainda que dezenas de feridos foram levados para Dili e lotaram o hospital local. ‘‘O número de vítimas era muito grande e a direção do hospital pediu a intervenção da polícia indonésia para impedir a entrada de mais feridos.’’
Os milicianos recusam-se a acatar o resultado do plebiscito realizado na semana passada no território, no qual 78,5% dos 430 mil eleitores inscritos votaram pela independência. A maioria esmagadora dos timorenses rejeitou, dessa forma, a oferta indonésia de ‘‘autonomia parcial’’.
Gomes acusou setores do Exército indonésio de ‘‘fechar os olhos à ordem do presidente B. J. Habibie, substituto do ex-mandatário Suharto, derespeitar a vontade da maioria timorense, configurada de forma inequívoca no plebiscito de segunda-feira’’.
A representante diplomática portuguesa ressaltou que os militares indonésios ‘‘querem que os observadores, jornalistas e membros da missão da Organização das Nações Unidas abandonem o território para promover uma campanha de extermínio ali’’.
Funcionários da ONU, bem como observadores internacionais, concordam com a diplomata portuguesa num ponto: os milhares de soldados indonésios - estacionados na ex-colônia portuguesa, desde a anexação pela Indonésia em 1976 -nada fizeram para evitar a campanha de violência desatada pelos milicianos pró-Indonésia. Essas fontes denunciam também que nos últimos dias as milícias contrárias à independência tomaram e controlam uma ponderável área de Timor Leste.
Segundo acordo assinado com Portugal e patrocinado pela ONU, o governo indonésio comprometeu-se a manter a paz na região até que ela passe a ser administrada por uma entidade internacional. Tanto Portugal quanto outros países, principalmente do Pacífico Sul, têm advertido a comunidade internacional de que não pode ficar de braços cruzados diante do banho de sangue que ocorre ali. Uma reunião do Conselho de Segurança da ONU no território estava prevista para o final da noite de ontem.Para líderes separatistas, total de mortos pode ultrapassar 200. Até a residência de bispo Prêmio Nobel foi atacada
France PresseDESESPEROTimorenses do leste corriam ontem para tentar sair da ilha. As milícias fecharam os portos à tarde e havia rumores de que o aeroporto do território (no detalhe), por onde também está havendo fuga, será fechado hoje

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