Timorenses desafiam o terror e votam maciçamente em plebiscito
Associated Press
De Dili, Timor Leste
Os partidários da independência para o Timor Leste clamaram vitória ontem no referendo sobre o futuro da província indonésia, apoiados por centenas de pessoas que, desafiando a forte intimidação por parte dos milicianos pró-Jacarta, se enfileiraram para depositar seu voto na urna.
Os timorenses compareceram em massa aos postos de votação para optar pela independência ou ampla autonomia de Timor Leste. O referendo, supervisionado pelas Nações Unidas, começou às 6h30 locais e várias horas antes já havia enormes filas diante dos 200 colégios eleitorais.
Apesar do assassinato de um timorense membro da Missão da ONU em Timor Leste (Unamet) e esporádicos atos de violência, o secretário-geral da organização, Kofi Annan, declarou, exultante, que mais de 90% dos cerca de 450 mil timorenses registrados depositaram seus votos. No geral, a votação transcorreu pacificamente; uma prova da determinação e paciência dos eleitores, mesmo com os casos de intimidação de milicianos pró-Jacarta em alguns centros de votação, disse Annan, acrescentado que o resultado, claramente a favor da independência, será divulgado até o dia 7.
David Wimhurst, porta-voz da ONU, disse que o timorense foi morto a facadas após o fechamento das urnas em Atsabe, 35 quilômetros a sudeste de Dili, capital de Timor Leste. Outros dois membros da ONU encarregados de supervisionar o referendo foram feridos a tiros em Ermera por um grupo de paramilitares.
A campanha prévia ao referendo foi ensombrecida por uma onda de violência protagonizada principalmente por milícias contrárias à independência, apoiadas, segundo os separatistas, pelo Exército indonésio, que até o último momento fizeram o possível para influir no resultado da consulta popular.
Levados em ambulâncias, ajudados por vizinhos e caminhando desde seus refúgios nas montanhas, os timorenses fizeram questão de mostrar coragem. No centro eleitoral 22, a primeira pessoa a depositar seu voto foi uma mulher de 66 anos, usando um sarongue amarelo e marrom e com o braço direito enfaixado. Ela explicou que havia sido ferida por uma machadada de um anti-separatista.
Sob um forte esquema de segurança, o líder separatista de Timor Leste, Xanana Gusmão, preso desde 1992, foi levado para votar em um centro eleitoral em Jacarta. Em uma breve declaração à imprensa, Xanana exortou os eleitores a desafiar as ameaças dos milicianos e votar pela independência da ex-colônia portuguesa, invadida pela Indonésia em 1975. Segundo promessa do presidente indonésio, B. J. Habibie, Xanana, condenado a 20 anos de prisão, será libertado até o dia 15.
Os governos da França e dos Estados Unidos saudaram ontem o sucesso do referendo sobre o futuro de Timor Leste e acrescentaram que a Indonésia tem a responsabilidade de garantir uma pacífica contagem dos votos e transição política. O governo português também saudou o maciço comparecimento dos eleitores à urnas e o presidente Jorge Sampaio exortou os timorenses a esquecer as feridas do passado.
Centenas de timorenses depositaram seus votos em Portugal e na Austrália, assim como José Ramos-Horta, o líder da Resistência Timorense no exílio. Enquanto votava em Liverpool, um subúrbio de Sydney, Ramos-Horta ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1996 disse que acreditava que, cedo ou tarde, o império indonésio cairia como outros impérios nos últimos 2 mil anos. Regimes vêm e vão, governantes despóticos vêm e vão e são derrubados pelo povo.Resultado de referendo supervisionado pela ONU independência ou autonomia dentro da Indonésia será conhecido em uma semana
France PresseUm homem, um votoAncião é amparado e ganha prioridade na fila de votação em Dili. Os timorenses se ajudaram e fizeram questão de mostrar coragem num dia históricoFrance PresseSegundo a ONU, mais de 90% dos cerca de 450 mil inscritos votaramFrance PresseCerca de 2,5 mil timorenses compareceram para votar em Lisboa





