Timor Oeste enfrenta novo massacre
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sexta-feira, 08 de setembro de 2000
Associated Press De Atambua 
Funcionários das Nações Unidas disseram ontem que cerca de 20 pessoas teriam sido massacradas num novo ataque de milicianos pró-Indonésia no Timor Oeste, um dia depois que uma multidão matou três funcionários humanitários estrangeiros.
Apesar serem escassos os detalhes sobre a nova escalada de violência, parece que a lei e a ordem desapareceram na região, que faz fronteira com Timor Leste, administrado pela ONU. Testemunhas disseram que milicianos estão agindo com impunidade apesar de garantias dadas pela Indonésia de que suas forças de segurança iriam reprimir as gangues.
Na capital de Timor Leste, Díli, o porta-voz do Acnur, Bernard Kerblat, disse que recebeu notícias dando conta que milicianos promoveram um massacre na vila de Betun, cerca de 55 quilômetros ao sul de Atambua, onde uma multidão atacou o escritório da Acnur na quarta-feira. Nesse ataque, além dos três mortos, cerca de 30 pessoas ficaram feridas, entre elas a brasileira Margarida Rodrigues.
Existem notícias ainda não confirmadas de que são 20 mortos, afirmou, acrescentando que com a saída de todo o pessoal da ONU da área, é difícil confirmar os assassinatos.
Oficiais do Exército da Indonésia disseram que não tinham detalhes sobre a denúncia da ONU, mas confirmaram que 11 pessoas haviam sido mortas nas proximidades de Betun. Sessenta e nove casas foram destruídas e cerca de 100 cabeças de gado abatidas em combates entre moradores da vila e milicianos.
Ontem, cerca de mil milicianos em uniformes militares reuniram-se numa vila próxima para o enterro de um de seus comandantes. O inexplicado assassinato de Olívio Mendosa Moruk teria provocado a violência de quarta-feira contra o escritório da ONU em Atambua.
Muitos dos milicianos andam livremente com armas e machetes, disse um funcionário do governo local de Timor Oeste, que não quis dar o nome por temer represálias.
Ao redor de Atambua, membros de gangues armados levantaram barreiras em estradas e extorquiam dinheiro e cigarros de motoristas. Outros vasculhavam a zona rural em busca de estrangeiros.
Acho que está bem evidente que as autoridades indonésias não têm controle em Timor Oeste, afirmou em Díli o porta-voz da força de paz da ONU coronel Brynar Nymo.
O presidente indonésio, Abdurrahman Wahid, humilhado pela explosão de violência que ocorreu no momento em que ele se encontrava com outros líderes mundiais na Cúpula em Nova York, tem prometido reprimir as milícias.
Os militares indonésios, sendo os principais patrocinadores das milícias, têm de se impor sobre seus soldados rebeldes e prender seus líderes que promovem uma campanha de terror, escreveu ontem em editorial o jornal The Jakarta Prost.
Cerca de 250 funcionários humanitários estrangeiros foram retirados de Timor Oeste depois do ataque de quarta-feira, que a ONU afirmou ter sido o pior até hoje contra seu pessoal civil.
A socialite brasileira Margarida Rodrigues Vasconcelos, 55 anos, foi atacada com um machado. Segundo os relatos recebidos ontem pela família, que mora no Rio de Janeiro, Margarida desmaiou ao receber o golpe. Acho que os indonésios pensaram que ela estava morta e, por isso, pararam de atacá-la, afirmou Allegra Ceccarelli, sobrinha de Margarida. Ela disse que o machado abriu um corte na cabeça da brasileira. Mas nos disseram que o machucado não é profundo e que ela não corre risco de vida.
Segundo a família, ela adora viajar e tem como hobby principal a fotografia. Margarida estava viajando pela Indonésia, onde costuma comprar artigos que revende no Rio, e havia ido a Díli no fim de semana para visitar Elizabete. Há cinco semanas, Margarida já fizera outra viagem a Díli.


