Associated Press
De Dili e Jacarta
Apesar da chegada da fortemente armada Força Internacional das Nações Unidas para Timor Leste (Interfet) a Dili, a violência ainda persistia ontem em alguns pontos do território timorense. Três milicianos pró-Indonésia e um separatista morreram em um combate perto da fronteira com a província indonésia de Timor Oeste. Três membros da resistência timorense estavam montando um bloqueio em uma estrada, a 60 quilômetros de Dili, quando os milicianos forçaram a passagem, na tentativa de atravessar a fronteira para Timor Oeste.
Um repórter britânico e um fotógrafo americano partiram ontem de Timor Leste, um dia depois de seu carro ter sido atacado por milicianos perto da localidade de Baucau. O motorista foi morto e o intérprete, sequestrado por milicianos.
Mas em Dili, pelo menos, o clima era de segurança com a presença da força multinacional após semanas de terror e massacres, iniciados após o anúncio do resultado do plebiscito do dia 30, amplamente favorável à independência de Timor Leste.
Milhares de timorenses que se haviam refugiado nas montanhas próximas de Dili ou nas ruínas da capital começaram a deixar seus esconderijos e saudaram as tropas australianas que chegaram ontem no catamarã Jervis Bay, o primeiro contingente a chegar de barco a Timor Leste. Os timorenses dançavam, cantavam e choravam de alegria enquanto saudavam a força de paz, que anteontem começou a trasladar-se para outras partes do território.
Grupos de direitos humanos afirmam que centenas – talvez milhares – de pessoas morreram nos ataques. O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) anunciou ontem o envio, nos próximos dias, de uma missão especial a Timor Leste e Oeste para analisar a dimensão exata da situação dos refugiados. Contudo, organizações humanitárias suspenderam pelo terceiro dia consecutivo o envio de alimentos a Timor, pois todos os aviões disponíveis estavam sendo usados no transporte das forças de paz. Estima-se que mais de 300 mil leste-timorenses tenham abandonado suas casas por causa da onda de violência.
Em Darwin, na Austrália, o líder da resistência timorense, Xanana Gusmão, foi recebido com festa pelos timorenses abrigados em campo de refugiados. Xanana, libertado no começo do mês pela Indonésia após sete anos de prisão, é considerado a única pessoa que pode levar adiante a transição em Timor Leste.
O presidente indonésio, B.J. Habibie, defendeu ontem, em rara aparição no Parlamento, sua política em relação a Timor Leste e convocou os legisladores a aceitar a independência da província, possibilitando a Jacarta recuperar sua imagem mundialmente abalada. ‘‘Temos que aceitar o desejo dos timorenses’’, declarou Habibie. ‘‘Temos que buscar meios democráticos de sermos aceitos pela comunidade internacional’’.
‘‘Fiz o melhor que pude’’, disse Habibie, em relação à sua decisão, muito criticada pelos parlamentares, de concordar com plebiscito sobre a independência de Timor. Habibie foi primeiro o presidente indonésio a comparecer perante o Parlamento para explicar suas políticas.Três milicianos pró-Indonésia e um separatista morreram em choque na fronteira com o Timor Ocidental. ONU amplia ocupação
France PresseAlegriaMilhares de timorenses que haviam se refugiado nas montanhas voltam a Dili para saudar tropas da ONUFrance PresseHabibie foi ao Parlamento ontem: ‘‘Temos que aceitar o desejo dos timorenses. Temos que buscar meios democráticos de sermos aceitos pela comunidade internacional’’

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