Dharamshala, Índia - O governo tibetano no exílio pediu ontem à ONU que investigue as circunstâncias dos tumultos registrados no Tibete e as possíveis ''violações dos direitos humanos'' praticadas, enviando representantes para a região.
Ainda ontem a região do Tibete foi fechada para os turistas estrangeiros na China, de acordo com várias agências de viagens da cidade de Chengdu (sudoeste).
Pelo menos 10 pessoas morreram anteontem nos distúrbios registrados em Lhasa, capital da região himalaia do Tibete, anunciou ontem a agência Nova China em um novo registro. Por outro lado, o primeiro-ministro do governo tibetano no exílio, Samdhong Rinpoche, apelou à China para que tenha ''compaixão'' pelos manifestantes desse território.
''Confirmamos aproximadamente 30 mortos, e estamos recebendo registros números superiores a 100 mortos, mas não podemos confirmá-los'', disse à AFP Tenzin Taklha, um alto funcionário do governo tibetano no exílio.
''Há várias pessoas no Tibete que estão enviando mensagens a familiares que vivem no exterior'', disse essa fonte em Dharamshala (norte da Índia), onde fica localizada a sede dos exilados tibetanos e de seu líder espiritual, o Dalai Lama. ''Acabam de nos dizer que há muitas tropas chinesas em Lhasa. Há grupos de pessoas nas ruas neste mesmo momento, mas a população tem muito medo'', afirmou Tenzin Taklha, um assessor do Dalai Lama.
As autoridades dessa região do Himalaia sob domínio chinês se disseram ''profundamente preocupadas'' com as informações que chegam do Tibete e que indicam ''pessoas assassinadas ao acaso, feridas, e a prisão de milhares de tibetanos que protestavam pacificamente contra a política chinesa''.
Com o fechamento das fronteiras ''os turistas estrangeiros não podem vir a Lhasa, não são mais concedidas permissões'', afirmou por telefone Wu Yongzhe, um agente de viagens na capital tibetana. ''Os vistos para os estrangeiros estão suspensos desde sexta-feira, não posso organizar mais viagens'', disse a diretora de um hotel de Chengdu, ponto de passagem quase obrigatório para os turistas que viajam para o Tibet de avião.

mockup