Paris - Dois testes com uma vacina terapêutica administrada em pacientes portadores do vírus da Aids (HIV) deram resultados ''particularmente animadores'', indicou a Agência Nacional francesa de Pesquisa sobre Aids.
Das pessoas vacinadas, 25% puderam interromper seu tratamento sem problemas, segundo os resultados dos testes, nos quais participaram 118 pacientes. Os resultados desta pesquisa foram apresentados ontem, em Boston, na 10 Conferência norte-americana sobre os Retrovírus.
Estes resultados ''preliminares são muito positivos'', estimou o professor Jean-François Delfraissy, do hospital de Kremlin-Bicètre, apesar de manifestar, como seus colegas, uma ''certa prudência''.
Ao contrário da vacina preventiva, cujo objetivo é impedir uma infecção futura, a vacina terapêutica está destinada a produzir ou ampliar reações de defesa imunológica especificamente dirigidas contra o HIV nas pessoas já infectadas.
Esta vacina tornaria possível o cessar do tratamento antirretroviral, que não é bem suportado pelos pacientes, reduzindo, ao mesmo tempo, o risco de que se reinicie a proliferação do vírus.
A vacina produz na maioria dos pacientes (61% e 57,5%, respectivamente) uma resposta imunológica (formação de anticorpos, mobilização de células destruidoras) especificamente contra o HIV. Esta é a primeira vez que tal resposta imunológica é obtida em pacientes infectados com HIV, segundo a Agência.
''Os pacientes vacinados que não precisaram retomar seu tratamento vão ser acompanhados durante dois anos para se observar quanto tempo dura o efeito'', precisou o professor Michel Kazatchkine, diretor da Agência.
Gel eficaz - Uma equipe de cientistas americanos conseguiu proteger macacos da forma de Aids que os atinge utilizando um gel à base de anticorpos monoclonais, segundo a última edição da revista Nature Medicine.
''É a primeira prova concreta de que os microbicidas (germicidas) podem impedir a contaminação por via vaginal ou retal'', diz o principal autor desta pesquisa, o professor John Moore, microbiólogo da Universidade Cornell de Nova York (EUA).
A eficácia do anticorpo B-12 foi avaliada em doze fêmeas de macaco. Duas horas depois da aplicação do gel, os animais foram infectados com o vírus HIV desenvolvido em sua própria espécie. Após esta aplicação, os cientistas comprovaram que nove das doze cobaias foram protegidas pelo gel. Em outro experimento com 13 animais que não receberam o gel, 12 foram contaminados.

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