São Paulo- Os governos do Japão e da China concordaram que um teste nuclear por parte da Coréia do Norte ''não pode ser tolerado'' e que o governo norte-coreano tem de voltar incondicionalmente às negociações sobre seu programa nuclear, disse ontem o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.
Abe disse que ele e o presidente chinês, Hu Jintao, chegaram a um acordo sobre o assunto. ''Precisamos evitar uma Coréia do Norte nuclear'', disse. ''O anúncio do país de um teste nuclear não pode ser tolerado porque é uma grande ameaça à Ásia e à comunidade internacional.''
Abe disse ainda que o governo norte-coreano tem de voltar às negociações -que envolvem, além dos três países, a Coréia do Sul, a Rússia e os EUA. O diálogo se encontra estagnado há um ano, no entanto: a Coréia do Norte se recusa a negociar, a menos que o governo americano retire as sanções unilaterais impostas a entidades financeiras norte-coreanas acusadas de lavar dinheiro.
Os Estados Unidos decretaram em setembro do ano passado uma proibição às transações com empresas norte-coreanas acusadas de lavagem de dinheiro para financiar o programa nuclear norte-coreano. O governo de Pyongyang se referiu ao que chamou de ''sanções viciosas'' como um dos motivos que o levaram a anunciar o teste nuclear.
A decisão chinesa pode sinalizar um endurecimento da posição do país quanto ao programa nuclear norte-coreano - a China é uma aliada tradicional da Coréia do Norte.
Na semana passada, um porta-voz do Ministério do Exterior chinês pediu ao país vizinho que exercite a calma e moderação necessárias e pediu também a outros países que mantenham as negociações abertas e evitem o acirramento das tensões.
O governo americano disse na semana passada que o mundo consideraria um ''ato profundamente provocador'' qualquer teste nuclear por parte da Coréia do Norte. O anúncio do teste, sem data ainda para acontecer, foi feito no último dia 3.
Em 2002, o governo norte-coreano retomou as atividades em seu reator nuclear em Yongbyon (cerca de 90 quilômetros ao norte de Pyongyang) e expulsou dois monitores da ONU (Organização das Nações Unidas) do país.

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