Teste de mísseis do Irã é mau sinal, diz França
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terça-feira, 03 de janeiro de 2012
Folhapress 
São Paulo - O governo francês foi um dos primeiros a reagir ao teste de dois mísseis de longo-alcance realizado com sucesso pelo Irã ontem, avaliando a manobra como um ''mau sinal'' enviado à comunidade internacional pela República Islâmica.
''Lamentamos este sinal muito mal dirigido à comunidade internacional com os recentes testes de mísseis anunciados pelo Irã'', disse Bernard Valero, porta-voz do Ministério francês das Relações Exteriores.
As provas de armamentos ocorrem em meio a um clima de tensão no Golfo Pérsico e trocas de ameaças entre Teerã e Washington. Mais cedo, a Marinha iraniana indicou que durante o dia as manobras navais devem simular o fechamento do estreito de Ormuz.
Segundo a agência estatal Irna, o país executou testes com mísseis de cruzeiro terra-mar Ghader na região do estreito. ''O míssil terra-mar de longo alcance Ghader foi testado com êxito pela primeira vez'', destacou a agência oficial. O projétil pode atingir alvos em até 200 quilômetros.
O almirante Mahmud Musavi, porta-voz das manobras navais executadas pelo Irã no Estreito de Ormuz, por onde transita 35% do transporte petroleiro mundial, afirmou que ''o míssil construído por especialistas iranianos atingiu o alvo com êxito e o destruiu''.
Mais cedo, Musavi anunciara que o Irã testaria ontem três mísseis pela primeira vez: ''Um míssil terra-mar de longo alcance Ghader, um míssil de curto alcance Nasr e um míssil terra-terra Nur''.
''Ghader é um sistema de mísseis ultramoderno com radar integrado, muito preciso, cujo alcance e sistema inteligente para evitar ser detectado foram aperfeiçoados em relação às gerações anteriores'', disse.
Com alcance de 200 quilômetros, o Ghader é apresentado como um ''míssil cruzeiro'' de fabricação totalmente iraniana. ''O sistema ultramoderno Nur foi aperfeiçoado no dispositivo antirradar e de detecção do alvo'', completou Musavi.
O Nur, míssil terra-terra de alcance médio, é uma versão modificada do C-802 chino (120 a 180 quilômetros de alcance).
Simulação
O Irã anunciou ainda que os navios de guerra da Marinha validariam um novo dispositivo tático para demonstrar a capacidade do país de impedir o tráfego marítimo no estreito de Ormuz se este for o desejo de Teerã.
O país ameaçou fechar o estreito estratégico no caso de sanções dos Estados Unidos e de outros países europeus contra suas exportações petroleiras. Observadores de países amigos, incluindo militares sírios, acompanham a etapa final das manobras, segundo a imprensa iraniana.
Em declarações divulgadas pela agência oficial de notícias iraniana Irna, o comando militar explicou que ''segundo este teste tático o tráfego de qualquer tipo de embarcação pelo Estreito de Ormuz será impossível''.
Manobras navais
O Irã começou sábado, dia 24 de dezembro, dez dias de manobras navais a leste do estreito de Ormuz, que liga o mar de Omã ao Golfo de Aden. Segundo autoridades militares iranianas, um de seus aviões identificou um porta-aviões americano na área de manobras navais organizada pela Marinha do Irã na região.
''Um avião de vigilância iraniano identificou um porta-aviões americano na zona de manobras em que estão mobilizados navios iranianos, fez fotos e filmou'', declarou o almirante Mahmud Musavi. ''Isto demonstra que a Marinha iraniana observa e vigia todos os movimentos das forças na região'', completou.


