O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou nesta sexta-feira (15) que vai suspender os reinvestimentos do Fundo de Estabilização Cambial, no último dos quatro passos anunciados anteriormente para manter a dívida do país abaixo do limite definido por lei. A dívida do governo dos EUA alcançou o teto de US$ 14,29 trilhões em meados de maio, mas o Tesouro tem aplicado uma série de medidas para estender sua capacidade de honrar suas obrigações, o que deverá se esgotar em 2 de agosto.

Essas medidas incluem a suspensão das emissões de títulos municipais e estaduais e do Fundo de Aposentadoria do Serviço Civil e a suspensão do reinvestimento dos títulos do Tesouro mantidos como investimento pelo Fundo de Títulos do Governo para os planos de poupança do funcionalismo público.

Os reinvestimentos diários do Fundo de Estabilização Cambial já haviam sido suspensos temporariamente em outras situações de impasse político em torno do limite da dívida dos EUA em 1996, em2003, em 2004 e em 2006.

Ao anunciar a suspensão. O subsecretário do Tesouro para Finanças Domésticas, Jeffrey Goldstein, disse que "de modo a evitar um default sobre as obrigações do país, o Congresso precisa aprovar no prazo oportuno a elevação do teto da dívida".

Por lei, o país tem teto de endividamento de US$ 14,29 trilhões, valor que foi recentemente atingido. O problema é que no dia 2 de agosto há vencimento de dívidas e os americanos não têm dinheiro para pagar. Um acordo precisa ser fechado até o dia 22 de julho.

O Congresso tem até o dia 2 de agosto para aumentar o limite de endividamento do país, evitando, assim, que os EUA deixe de cumprir suas obrigações financeiras. No entanto, as negociações entre o governo Obama e os congressistas não têm evoluído, fazendo com que o prazo fique cada vez mais próximo. Na última terça-feira, o líder republicano no Senado dos Estados Unidos, Mitch McConnell, chegou a dizer que não é provável uma solução de longo prazo para os problemas fiscais do país enquanto o presidente Barack Obama continuar no cargo.

Nesta sexta-feira, o presidente dos EUA pediu para que o Congresso norte-americano apresente logo uma solução para a dívida do país. Ele quer que os congressistas aproveitem o próximo dia para definir o melhor plano possível para elevar o teto da dívida e o apresentem a ele. No mínimo, os dois lados devem conseguir chegar a um acordo sobre um plano que eleve o teto da dívida e inclua uma redução inicial do déficit do país, afirmou Obama.

Um dos reflexos que um calote norte-americano poderia gerar seria o rebaixamento da nota dos EUA pelas agências de classificação de risco. Essas agências têm como ganha-pão a concessão de ratings – ou classificações – a empresas, governos ou qualquer entidade que emita títulos para serem negociados no mercado. Tais classificações são a opinião da agência sobre a capacidade do emissor desses títulos de honrar seus compromissos com os investidores.

Na noite da última quinta-feira (14), a Standard & Poor's (S&P) e a Moody's - duas das três mais importantes agências do mundo -colocaram a nota de crédito americana em revisão com possibilidade de rebaixamento, o que significa que os EUA correm o risco de perder a nota máxima de credibilidade e descerem pra um patamar menor. As informações são da Dow Jones.

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