Terroristas irlandeses pedem desculpas
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
France Presse 
O IRA autêntico, grupo republicano dissidente, assumiu ontem a autoria do atentado de Omagh e pediu desculpas pelas vítimas civis do ato terrorista, afirmando que foi resultado de um erro. Em um comunicado enviado à rádio e a televisão públicas em Dublim, o grupo destacou que o alvo do atentado deveria ser o setor comercial.
A organização, que se opõe ferozmente ao processo de paz, afirmou ter telefonado três vezes no sábado passado para os meios de comunicação localizados no Ulster, a fim de advertir sobre a explosão, informando claramente o nome da cidade de Omagh. Segundo os membros do IRA autêntico suas instruções não foram seguidas. Nossa intenção jamais foi matar civis, afirma o comunicado.
A polícia está cada vez mais convencida de que a amplitude do atentado de Omagh foi resultado de um erro, depois de ter afirmado que o ato terrorista foi deliberado.
Segundo as pessoas que receberam os telefonemas no sábado passado, o interlocutor anônimo do IRA autêntico se contradisse, tanto sobre a localização da bomba como com o tempo para evacuar o lugar. Por isso, as equipes de segurança evacuaram a população para o local errado, onde estava o carro bomba.
O governo britânico qualificou de patéticas as explicações e desculpas do IRA autêntico, que assumiu o atentado de Omagh, afirmando ao mesmo tempo que ele poderia ter sido evitado se suas instruções tivessem sido seguidas corretamente.
É uma tentativa patética de desculpar-se pela matança, comentou a ministra da Irlanda do Norte, Mo Mowlam, que considerou o texto do grupo um insulto à população de Omagh.
A responsabilidade por esta atrocidade recai completamnte nos que colocaram a bomba, acrescentou a ministra.
A polícia do Ulster também condenou as explicações do IRA autêntico, afirmando que as advertências do grupo haviam confundido as forças da ordem sábado, quanto à localização da bomba.
Segundo um porta-voz do governo, os argumentos usados pelo grupo devem ser tratados com o desprezo que merecem.
O príncipe Charles visitou ontem o local da explosão e declarou-se horrorizado.


