Terroristas estão com 11 reféns no Iraque
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segunda-feira, 21 de junho de 2004
France Presse 
Bagdá - Com o sequestro de um cidadão sul-coreano por um grupo islamita, que ameaça decapitá-lo caso Seul não anuncie nas próximas horas a retirada de suas tropas do Iraque, sobe para onze o número de estrangeiros que permanecem sequestrados ou desaparecidos neste país.
Segundo a agência de imprensa Yonhap, um diretor da empresa na qual trabalha o refém sul-coreano Kim Song-il, assegurou que além dele outras pessoas foram sequestradas na mesma operação, mas que ainda não há mais detalhes sobre isso.
Segundo Al-Jazeera e alguns órgãos de comunicação sul-coreanos, que citam diplomatas no Iraque, o refém, de 33 anos, chegou à capital iraquiana no dia 15 de junho para trabalhar em Bagdá como tradutor da Gana General Trading Compay, filial do grupo industrial sul-coreano Gana, que fornece maquinaria pesada para projetos de engenharia civil, assim como alimentos e outros produtos de primeira necessidade às tropas americanas, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap. Em uma entrevista à rádio sul-coreana CBS, a mãe do refém rogou ao grupo islamita que devolva seu filho. ''É meu único filho. Por favor, devolvam-no'', declarou Shing Young Ja.
No domingo, a rede de televisão Al-Jazeera divulgou imagens mostrando a vítima implorando por sua vida. ''Solados coreanos, vão embora, eu não quero morrer, não quero morrer'', repetia Kim em inglês, enquanto um dos sequestradores fazia suas exigências em árabe: ''Não mandem mais tropas ao Iraque ou lhes mandaremos a cabeça deste coreano e depois, se Deus quiser, as cabeças de seus soldados. Damos a vocês 24 horas a partir deste domingo 20 de junho de 2004''.
O vídeo mostra três homens que dizem pertencer ao grupo ''Tawhid wal jihad'' (Unificação e guerra santa), dirigido pelo jordaniano Abu Mussab Al-Zarqawi, vinculado à rede terrorista Al-Qaeda, armados e encapuzados e com o refém sentado diante deles.
Apesar das ameaças dos sequestradores, o governo sul-coreano afirmou esta segunda-feira que não dará desistirá do plano de enviar mais 3.000 soldados ao Iraque, o que lhe converterá na terceira força militar estrangeira nesse país atrás dos Estados Unidos e do Reino Unido.
''A decisão de meu governo de enviar tropas com o objetivo de ajudar o povo iraquiano a reconstruir sua economia se mantém intacta'', declarou o ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Ban Ki Moon, na cidade chinesa de Qingdao (leste) onde participa numa reunião de chefes da diplomacia de 22 países.
A ameaça de execução do cidadão sul-coreano, acontece dois dias depois de uma facção da Al-Qaeda na Arábia Saudita ter decapitado o engenheiro americano Paul Johnson. O americano foi morto após o fim do prazo do ultimato que o grupo terrorista havia feito para as autoridades sauditas para que libertassem militantes da Al-Qaeda num prazo de 72 horas.


