Terrorista condenado por morte de 270 é libertado
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Folhapress 
São Paulo - A Justiça da Escócia libertou ontem por motivos humanitários o líbio Abdel Basset Ali al Megrahi, 57, condenado pela explosão terrorista de um voo da Pan Am em 1988 que resultou na morte de 270 pessoas -259 a bordo e 11 no solo. Megrahi sofre de câncer da próstata e tem menos de três meses de vida, segundo seus médicos.
O atentado terrorista do voo 103 da Pan Am, que ia de Londres a Nova York e explodiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie foi o pior da história do Reino Unido. Megrahi, que nega participação, cumpriu somente oito anos de uma sentença de prisão perpétua.
Sua soltura foi motivo de protestos por parte dos governos britânico e principalmente dos EUA -189 vítimas eram americanas. A decisão foi um erro, afirmou o presidente Barack Obama a uma rádio hoje. Estamos em contato com o governo líbio para que ele não seja recebido [com honras] e fique sob prisão domiciliar.
Em vão. A chegada de Megrahi em Trípoli na noite de hoje contou com a presença de centenas de simpatizantes com bandeiras líbias. Ele é visto por muitos no país como um bode expiatório de uma antiga campanha do Ocidente para isolar a Líbia no cenário externo.
Ex-membro do serviço de inteligência líbio, Megrahi faz parte de uma poderosa tribo política aliada ao ditador Muammar Gaddafi, que chegou a ser acusado de terrorismo de Estado pelo atentado.
Trípoli enfrentou condenação internacional não apenas pelas acusações de participação em atentados, mas também por seu programa nuclear. O país se recusou por anos a entregar Megrahi para julgamento e recebeu várias sanções da ONU.
Após anos de negociações e pressões externas, Megrahi acabou sendo enviado em 1999 a um tribunal considerado neutro na Holanda. E, depois do 11 de Setembro, Gaddafi empreendeu uma reaproximação com o Ocidente, desmontando seu programa nuclear.


