Terrorismo ofusca Semana Santa
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quinta-feira, 08 de abril de 2004
Kelly Velásquez<br>France Presse 
Cidade do Vaticano - O Papa João Paulo II iniciou ontem os rituais comemorativos da Semana Santa, marcada este ano pela preocupação com a situação no Iraque e o temor de atentados terroristas.
Enquanto o pontífice presidia a missa solene diante de centenas de religiosos, bispos e cardeais na Basílica de São Pedro, as autoridades italianas aplicavam medidas excepcionais de segurança para evitar atos terroristas naquela área.
As autoridades temem que o Vaticano seja alvo de ações terroristas islâmicas, principalmente após o 11 de Março. Por este motivo, a avenida que leva à basílica será fechada ao tráfego temporariamente.
O Vaticano reiterou ontem seu pedido para que as forças da coalizão no Iraque, lideradas pelos Estados Unidos, sejam substituídas por uma força de paz enviada pelas Nações Unidas. O pedido foi feito pelo cardeal Renato Martino, chamado de ''ministro da paz''. Ele disse que ''a intervenção militar no Iraque foi um erro''. O diplomata da Santa Sé, que por mais de 15 anos representou o Vaticano na ONU e preside atualmente o Conselho Pontifício Justiça e Paz, lembrou ao jornal italiano ''La Stampa'' que ''hoje, como ontem, o Papa considera necessário que as Nações Unidas intervenham (...). O Papa não pede que todos se retirem, e sim que a presença militar mude de status e se converta em uma força de paz sob o mandato da ONU''.
O Papa, que em 18 de maio completará 84 anos, presidiu ontem a tarde a cerimônia solene do lava-pés. Os fiéis que compareceram à basílica, após terem sido submetidos a um controle minucioso, foram convidados a fazer caridade durante a missa. O dinheiro será doado a crianças doentes de Ruanda e Burundi, informou o Vaticano.
João Paulo II terá uma agenda cheia durante a Semana Santa. Hoje, ele presidirá a tradicional Via-Crúcis noturna ao redor do Coliseu. Milhares de pessoas participarão do ritual, um dos mais importantes do catolicismo e que será transmitido ao vivo para vários países. O monumento romano é um dos 13 mil locais que estão sendo vigiados discretamente pela polícia italiana.


