Terrorismo é mote de campanha
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de agosto de 2004
Jérôme Rivet<br>France Presse 
Washington -Dirigentes da Casa Branca tentaram ontem convencer a opinião pública americana da realidade das ameaças terroristas com a aproximação da eleição presidencial do dia 2 de novembro. A intenção da rede terrorista Al-Qaeda é atacar os Estados Unidos antes das eleições, alertou Frances Townsend, assessora em segurança do presidente George W. Bush.
Este ataque pode ser devastador, destacou Townsend, pois os membros da rede de Osama bin Laden querem algo mais forte do que o atentado de 11 de setembro.
Esta ameaça justifica a elevação do nível de alerta decidido no dia 1º de agosto passado em Washington, Nova York e Newark (Nova Jersey), e as rígidas medidas de segurança aprovadas para proteger cinco instituições financeiras vigiadas pela Al-Qaeda, insistiram Townsend e a conselheira para a Segurança Nacional, Condoleezza Rice, em declarações à televisão no domingo.
Parece irresponsável não informar a opinião pública de que edifícios específicos estão sendo vigiados há anos por membros da Al-Qaeda, justificou Rice.
O governo de Bush multiplicou as explicações nos últimos dias, para superar as críticas emitidas pela imprensa ou por caciques do Partido Democrata de que o presidente quer agitar o fantasma do terrorismo para fins políticos.
No entanto, somente 21% dos eleitores se declararam muito preocupados com a possibilidade de um ataque terrorista nos próximos meses, e apenas 31% afirmaram acompanhar com atenção os níveis de alerta, de acordo com um estudo que será publicado hoje pela revista Time Magazine.
Uma maioria de americanos (56%) aprova a forma com a qual Bush lida com o terrorismo, mas 66% dos eleitores declararam que um eventual atentado não terá influência em suas preferências eleitorais. Segundo as mais recentes pesquisas, Bush aparece pouco atrás de seu adversário democrata John Kerry em termos de intenções de voto.
A revista Time afirma que a Al-Qaeda estudou a possibilidade de utilizar helicópteros ou lanchas rápidas para atacar edifícios em Nova York, ou uma limusine carregada de explosivos contra a sede da companhia financeira Prudential. Para estas operações, a rede terrorista teria tentado recrutar cidadãos sul-africanos e homens não árabes, ressaltou a revista.
Townsend expressou sua satisfação com o fato de as autoridades terem ganhado terreno em relação aos terroristas graças às informações obtidas e à detenção de importantes membros da Al-Qaeda em Londres, Riad e no Paquistão neste últimos dias. A assessora em segurança qualificou de muito importante a captura nos Emirados Árabes Unidos de Qari Saifullah Akhtar, líder paquistanês de um grupo islamita ligado a Osama bin Laden, extraditado ontem para o Paquistão.


