Viena - Nenhum país pode se considerar a salvo do terrorismo, advertiram ontem vários dirigentes da ONU que participam em Viena de uma conferência sobre a luta antiterrorista organizada conjuntamente com a Organização para Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).
''As pessoas acham que a Espanha tem a ETA (a organização armada separatista basca), o Marrocos seus radicais islamitas e Bali sua rede da Al-Qaeda, mas isto afeta todo o mundo. O 11 de setembro mudou a história do mundo e o terrorismo é a praga do século XXI'', declarou o presidente do comitê de luta contra o terrorismo do conselho de segurança da ONU, o espanhol Inocencio Arias.
Em sua opinião, uma melhor cooperação internacional teria reduzido as probabilidades de êxito dos atentados de quinta-feira em Madri, que deixaram 199 mortos e mais de 1,4 mil feridos. ''Não sei se teria impedido. Mas teria ajudado. Com muita cooperação internacional, os ataques terroristas poderiam fracassar 49 vezes de cada 50'', disse.
Arias instou a todos os países a ratificarem e aplicarem as 12 convenções da ONU sobre o terrorismo. Segundo ele, depois do 11 de setembro, multiplicou-se o número de países que ratificaram essas convenções e 101 estados já aprovaram a convenção sobre o financiamento do terrorismo. Admitiu que vários estados têm dificuldades para aplicar as medidas de luta contra o terrorismo por motivos materiais, mas advertiu que se alguns deles não agirem no prazo de um ano por falta de vontade política, citará publicamente seus nomes.
''Cinquenta países estão com problemas (...) Acho que precisam de assistência. Mas se considero que um país não coopera porque não quer, então o citarei'', afirmou.

mockup