TERRORISMO - Famílias enterram vítimas de Beslan
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domingo, 05 de setembro de 2004
Agência Folha 
As famílias das vítimas do sequestro em uma escola de Beslan, cidade da Ossétia do Norte (sudeste da Rússia), começaram a enterrar seus parentes e amigos mortos na operação de resgate realizada anteontem. As primeiras cerimônias religiosas seguiram o ritual cristão ortodoxo, religião predominante na Ossétia do Norte. As covas foram escavadas às pressas e marcadas com estacas brancas. O patriarca ortodoxo russo Alexis 2º pediu que sejam celebradas missas em nome dos mortos em Beslan em todas as igrejas da Rússia. Há ainda uma lista de mais de 200 desaparecidos, segundo uma funcionária do necrotério de Beslan, que não se identificou. Ela disse à agência de notícias France Presse que alguns dos corpos estão tão mutilados que não podem ser reconhecidos. ''Nós não abandonamos a esperança até o fim'', disse a médica Rimma Butueva, que esteve no funeral da prima, Rosa, cujo filho de nove anos teve de ser reconhecido pelas roupas que estava usando.
''Meu filho está desaparecido'', disse Albert Adykhayev à rede de TV NTV. ''Eu nem sei em que lista ele está, ou com que nome''. O filho de Adykhayev tem três anos de idade.
O governador da Ossétia do Norte, Alexander Dzasokhov, pediu perdão ''por falhar em proteger as crianças, os professores e os pais'' no incidente. O ministro do Interior da Ossétia do Norte, Kazbek Dzantiyev, ofereceu sua renúncia, que não foi aceita.
O número de mortos, por sua vez, continua a aumentar: ontem se já falava de 360 mortos - dos quais mais de 150 eram crianças - os reféns que morreram na sexta-feira quando as forças especiais russas invadiram a escola. Além destes, dez policiais e 26 terroristas também morreram. O porta-voz do governo de Ossétia do Norte, Lev Dzougayev, disse que o número de mortos ainda pode aumentar.
O número oficial de mortos e feridos, no entanto, deverá ficar incerto por vários dias, como no caso da invasão do teatro em Moscou em outubro de 2002. As autoridades russas não costumam dar informações precisas sobre o número de mortos - na ocasião, 129 reféns morreram no teatro, mas os números iniciais apontavam entre cinco e dez.
Segundo o chefe do FSB (Serviço Federal de Segurança), Valery Andreyev, a intervenção das forças especiais russas na escola de Beslan não estava planejada. Com a invasão, os rebeldes teriam explodido bombas colocadas em um ginásio em que os reféns estavam. A invasão da escola russa aconteceu um dia depois de o presidente Vladimir Putin ter afirmado que buscava uma solução pacífica para o impasse e que a prioridade do governo era ''salvar vidas''. Segundo o comitê de crise do governo russo, as forças especiais tiveram de entrar em ação no momento em que um primeiro grupo de cerca de 40 mulheres e crianças conseguiu fugir e alguns terroristas começaram a disparar.
Logo após a captura dos reféns, o grupo armado ameaçou matar 50 crianças para cada combatente morto e 20 para cada combatente ferido. O FSB disse que o grupo era formado por 17 pessoas (homens e mulheres) e que algumas delas estariam usando cintos com explosivos. O grupo exigia, além da libertação de presos envolvidos em atividades terroristas na Inguchétia, que as tropas russas fossem retiradas da Tchetchênia e o fim das ações militares nesta república, segundo informou Aslanbek Aslakhanov, assessor do presidente Putin.
Foi a terceira ação terrorista ocorrida na Rússia em pouco menos de duas semanas.


