Associated Press
De Dili, Timor Leste
Bandos de milicianos antiindependência aterrorizaram ontem a capital do Timor Leste, Dili, realizando disparos e obrigando os residentes a fugir. Temerosos, centenas de timorenses estão deixando suas casas ou armando-se de machetes, foices e lanças. A ex-colônia portuguesa anexada pela Indonésia decide amanhã em plebiscito se quer independência ou continua parte da Indonésia. Os milicianos só aceitam a segunda hipótese.
Ontem, independentistas informaram que milicianos mataram mais uma pessoa. Na sexta-feira, houve pelo menos outras três mortes.
O porta-voz das Nações Unidas David Wimhurst disse ontem que os ataques dos milicianos parecem ser ‘‘uma última tentativa de desestabilizar a situação’’ antes do plebiscito desta segunda-feira. As expectativas são de que os 450 mil eleitores do território de 800 mil habitantes votarão pela independência.
A Indonésia invadiu o Timor, uma ex-colônia de Portugal, em 1975 o anexou a seu território um ano depois. Grupos defensores de direitos humanos estimam que até 60 mil pessoas já fugiram da violência da milícia.
Cerca de 500 pessoas, em sua maioria mulheres e crianças, se refugiaram em um convento católico, onde relataram como os bandos armados irromperam nos bairros pobres de Dili e ameaçaram de morte quem sair para votar amanhã.
A votação será uma prova de fogo para as Nações Unidas, que supervisionará o que ameaça se transformar numa brusca transição para a independência. Representantes da ONU se negam a especular sobre o resultado do que oficialmente é chamado de ‘‘consulta popular’’ aos 451.792 votantes registrados.
Num enérgico comunicado emitido na quinta-feira, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, culpou as milícias anti-independentistas armadas de tentar perturbar o processo. Numa reação ao assassinato de cinco pessoas em Dili, o comunicado ‘‘pede que as autoridades indonésias adotem medidas imediatas para restaurar e manter a lei e a ordem’’.
A votação é organizada pela ONU, como parte do acordo firmado em 5 de maio por Indonésia e Portugal, o antigo colonizador do Timor Leste.
Seja qual for o resultado da votação no Timor Leste, a organização internacional terá um papel importante a desempenhar ali, depois de 30 de agosto.
Os acordos de 5 de maio estipulam que, se a população optar pela autonomia dentro da Indonésia, o secretário-geral da ONU criará um conselho tradicional plural para administrar o território, até que se possam celebrar comícios para eleger uma nova autoridade regional. Se rechaçada a autonomia, o secretário-geral administrará o território até a independência.Milícias pró-Indonésia mantinham terrorismo ontem, ameaçando a população a dois dias do referendo que decide futuro do território
France PresseDifícil transiçãoDili enterra seus mortos e se prepara para votar. Cerca de 60 mil fugiram com medo dos ataques de milicianos

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