Menahem Kanana/France PresseOlho-vivoSoldado israelense inspeciona do alto o movimento de passageiros na estação central de ônibus em Jerusalém: Exército já encontrou bolsas suspeitasA apenas algumas horas do fim do ultimato lançado pela organização islamita Hamas, as forças de segurança israelenses se encontravam ontem em estado de alerta máximo, temendo novos atentados. Na última quarta-feira, no mesmo comunicado em que assumiu a autoria do sangrento atentado (15 mortos) no mercado judaico de Jerusalém, o braço militar do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) havia dado um prazo até ontem para que Israel libertasse todos os presos islamitas. Do contrário, realizaria novos ataques em território israelense.
O texto foi recebido como uma séria ameaça, apesar de um alto dirigente do Hamas em Gaza, Abdelaziz Rantissi, afirmar que o comunicado provavelmente era falso. Centenas de policiais montavam guarda em Jerusalém e Tel-Aviv ao redor dos centros comerciais e em estações e pontos de ônibus. Dentro deles também havia policiais. ‘‘As forças de segurança vão mobilizar o máximo de efetivos nos próximos dias para impedir novos atentados terroristas’’, anunciou o chefe da polícia, Assaf Hefetz.
A instituição, que pediu à população para que ficar vigilante, recebeu centenas de telefonemas informando sobre pessoas, objetos e carros ‘‘suspeitos’’, principalmente em Jerusalém. Os especialistas em bombas já explodiram várias bolsas abandonadas em estações de ônibus, mas não encontraram nenhuma bomba. Estas operações provocaram grandes engarrafamentos, segundo um porta-voz da polícia.
O Exército multiplicou os bloqueios de estradas e vias rumo à Cisjordânia para evitar infiltrações de palestinos. O bloqueio às oito cidades autônomas da Cisjordânia, onde os palestinos não podem entrar nem sair, foi reforçado. Segundo a imprensa, o serviço de segurança interna (Shin Beth) teme que camicases integristas, que tenham conseguido se esconder em Israel ou na parte árabe de Jerusalém (leste), estejam esperando ordens para entrar em ação.
CaçaEnquanto isso, a investigação sobre o atentado de quarta-feira prossegue e, segundo Assaf Hafetz, está-se estudando a hipótese de que os dois terroristas tenham vindo do exterior. Responsáveis pelos serviços de segurança citados pelo jornal Yediot Aharonot analisam a hipótese de que o duplo atentado suicida tenha sido realizado pela milícia xiita libanesa do Hezbollah (Partido de Deus).
A polícia verifica se o explosivo utilizado pelas dois suicidas era o RDX, frequentemente utilizado pelo Hezbollah nos ataques antiisraelenses no Sul do Líbano, revelou o jornal. O Yediot acrescenta que os dois camicases tomaram a precaução de cortar as etiquetas de suas roupas para não deixar pistas sobre o local em que foram compradas.
A publicação também recorda que em abril de 1996 um militante do Hezbollah infiltrado em Israel havia ficado gravemente ferido quando a bomba que estava manipulando explodiu em um hotel de Jerusalém Oriental. O jornal também ressalta o fato de que, ao contrário do que aconteceu em atentados suicidas anteriores, após a ação terrorista no mercado judaico, os palestinos não montaram nenhuma barraca de luto pelos ‘‘mártires’’.

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