Terror colombiano mata a tiros o humorista mais famoso do País
Alberto Rojas Morales
Ansa
De Bogotá
Em um crime brutal que comoveu a Colômbia, foi assassinado ontem a tiros por dois pistoleiros de moto provavelmente a serviço de grupos paramilitares de extrema-direita Jaime Garzón, de 38 anos, o mais famoso humorista colombiano. Garzón, que também era jornalista e advogado, recebeu cinco tiros à queima-roupa, quando parou sua caminhonete Cherokee em um semáforo a 300 metros do local de trabalho a rede Radio Net, em Bogotá.
O jornalista Jaime Garzón iria reunir-se hoje com líderes guerrilheiros para impulsionar as negociações de paz com o governo e contou a colegas que paramilitares de extrema-direita o ameaçavam de morte.
O ataque que matou Garzón ocorreu à 1h da manhã de ontem e representa um novo golpe contra o proceso de paz entre o governo do presidente Andrés Pastrana - de quem o jornalista assassinado era amigo pessoal - e a guerrilha esquerdista, comentaram analistas.
O governo de Pastrana ativou uma gigantesca operação de policiais e outras forças de segurança, mobilizando mais de mil pessoas, na busca dos assassinos. Garzón transformou-se ontem no 178º jornalista assassinado nos últimos 22 anos na Colômbia.
Para hoje foi convocada uma manifestação popular que percorrerá o centro de Bogotá para pedir nunca mais aos assassinatos, anunciou o subdiretor do jornal El Tiempo, Francisco Santos Calderón.
Porta-vozes da Radio Net, cadeia de rádio privada onde trabalhava Garzón, disseram que ele comentara com colegas que era ameaçado de morte por paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Ele também contara que, entre este sábado e meados da próxima semana, planejava reunir-se con Carlos Castaño, líder máximo das AUC, para falar sobre essas ameaças de morte e pedir aos paramilitares que não pusessem obstáculos ao processo de paz.
O jornalista assassinado planejava reunir-se hoje com dois líderes guerrilheiros presos - Francisco Galán e Felipe Torres, que em várias ocasiões atuaram como porta-vozes do Exército de Libertação Nacional (ELN) - a fim de explorar novos caminhos para a retomada das negociações de paz entre os insurgentes e o governo.
A reunião foi truncada ontem pelo assassinato com cinco tiros disparados contra Garzón por um dos dois tripulantes de uma motocicleta em alta velocidade. O golpe era para dizer: Vamos continuar com os extremismos, vamos impedir qualquer esforço de reconciliação, declarou o ex-candidato liberal à presidência, Horacio Serpa.
Serpa era talvez um dos políticos mais criticados por Garzón, mas ambos integravam uma das comissões de trabalho para a pacificação do país. Garzón, com sua peculiar combinação de jornalismo e humor, fazia ásperas críticas a políticos e empresários, rainhas da beleza ou colegas jornalistas, sem por isso perder sua amizade.
Como humorista, criou mais de 10 personagens populares por intermédio dos quais comentava os acontecimentos do país. Um de seus últimos personagens de ficção, batizado como Heriberto de La Calle, era um típico engraxate da antiga Bogotá, que com linguagem popular e irreverente interrogava ministros, políticos e outras pessoas. Garzón imitava com destreza as vozes de personalidades colombianas e estrangeiras.
Ontem, o presidente Pastrana - amigo de Garzón há anos e alvo de críticas de Heriberto de La Calle nas últimas semanas - prometeu que o assassinato não ficará impune.Jaime Garzón, 38 anos, humorista, jornalista e pacifista era ameaçado por paramilitares de extrema direita
France PresseMorte anunciadaGarzón recebeu cinco tiros à queima-roupa quando parou o carro em um semáforo próximo ao local de trabalhoFrance PresseIrreverênciaO humorista em seu personagem principal, Heriberto de La Calle, que interrogava personalidades





