Terri Schiavo morre após 13 dias sem a sonda
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quinta-feira, 31 de março de 2005
France Presse 
Pinellas Park (EUA) - Terri Schiavo, que viveu 15 anos em estado vegetativo persistente, morreu ontem, aos 41 anos de idade, após passar 13 dias sem alimentação por ter tido removido o tubo de alimentação que a mantinha viva, anunciou o porta-voz da sua família, o frei católico Paul O'Donnell. ''A mulher morreu há alguns momentos'', revelou O'Donnell às 09h54 locais (11h54 em Brasília), 13 dias depois de ela ter tido removido o tubo alimentar que a mantinha viva há 15 anos.
Os pais, que brigaram o tempo todo na justiça para evitar a morte de Terri, permaneceram no centro de tratamento de Pinellas Park (oeste da Flórida), onde a filha estava internada. A mulher sofreu um infarto em 1990 que bloqueou o oxigênio para o seu cérebro, o que a deixou em estado vegetativo depois de uma breve etapa em coma.
De acordo com os médicos, o ataque do coração foi provocado por um desequilíbrio de sódio e potássio desencadeado por alguma desordem alimentar, provavelmente bulimia. Seu marido, Michael Schiavo, que se dedicou desde então a cuidar de Terri e buscar sua reabilitação, em 1993 apresentou uma ação legal por imperícia contra os médicos que lhe administraram um tratamento para infertilidade e que deveriam ter detectado alguma desordem alimentar.
O homem ganhou pouco mais de um milhão de dólares na ação e supostamente brigou com os sogros, que supostamente lhe pediram para compartilhar o dinheiro. Os pais de Terri alegavam que Michael passou a se negar a seguir cuidando da esposa.
Em 1994, após um processo de reabilitação fracassado, Michael se deu por vencido e decidiu não tratar uma infecção que acometia a esposa e deixá-la morrer naturalmente. Mas logo se retratou. Neste mesmo ano seus sogros iniciaram uma ação legal para tirar de Michael a custódia de Terri, mas perderam. A disputa estava longe de acabar.
Em 1998, o marido de Terri pediu a remoção do tubo alimentar, alegando que sua esposa comentara com alguns amigos que não desejava ser mantida viva por meios artificiais se algo catastrófico lhe acontecesse. Em abril de 2001 a Corte ordenou pela primeira vez a interrupção da alimentação de Terri. Dois dias depois um tribunal ordenou a reconexão do catéter até que analisasse o caso.
A batalha para evitar a morte de Terri continuou e em outubro de 2003 o tudo alimentar foi desconectado. Seis dias depois, impulsionada por Bush, a Câmara Legislativa da Flórida aprovou uma lei especial que ordenou a reconexão para ter tempo de analisar o caso por todos os lados. Em setembro de 2004, a Suprema Corte da Flórida declarou inconstitucional esta lei e em fevereiro de 2005 ordenou novamente a retirada do tubo, que desta vez seria definitiva (18 de março).
Durante todo este tempo, os pais de Terri e seus irmãos clamaram em vão que os médicos reconectassem o tubo, apoiados por ativistas conservadores e religiosos, que classificavam o processo de assassinato. Terri será cremada e seus restos sepultados, por ordem do tribunal, em uma tumba da família de seu marido na Pensilvânia, apesar de os pais da mulher desejarem mantê-la na Flórida. Michael refez sua vida com outra mulher com quem tem dois filhos.


