Terremoto provoca êxodo em massa no Haiti
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domingo, 17 de janeiro de 2010
France Presse 
A morte, apresentada da maneira mais intensa e desumana, toma conta das ruas de Porto Príncipe, destruída pelo terremoto de terça-feira, 7,0 graus na escala Richter, que deixou um balanço parcial de mais de 50.000 mortos.
Ao mesmo tempo que funcionários da ONU pedem mais ajuda, os saques não param e acontecem confrontos violentos nos postos de distribuição de ajuda. No Mercado de Ferro, um dos bairros mais pobres de Porto Príncipe, os habitantes buscavam freneticamente nos edifícios destruídos bens para a sobrevivência, ignorando os corpos amontoado.
Cansados de dormir na rua, com medo de que a terra volte a tremer ou de tentativas de roubo do pouco que restou, algumas famílias decidiram recorrer a parentes que vivem em outras províncias menos afetadas pelo tremor; outras não têm para onde ir. ''Para qualquer lugar, desde que seja longe da cidade'', afirma Talulum Saint Fils, enquanto aguarda que um ônibus lotado de passageiros a leve, com o marido e os quatro filhos, para longe de Porto Príncipe, onde o terremoto destruiu sua casa e deixou a família desabrigada.
Há dois dias, milhares de desabrigados fogem da capital. ''As ruas cheiram à morte, não temos nenhum tipo de ajuda e nossas crianças não podem viver como animais'', afirma a mãe de família.
A família Saint Fils pagou 400 'gourdes' (10 dólares) cada passagem, apesar de o preço normal ser apenas metade. Venderam jóias para pagar os bilhetes, apenas de ida. ''Eu gostaria de voltar e reconstruir nossa casa, mas com que dinheiro?'', pergunta a mulher.
O ônibus, que transporta pessoas até no teto, sai e cruza as ruas da capital destruída, em direção a Fodernerg, uma cidade que fica a três horas de estrada. Os que não conseguiram subir a bordo não escondem a decepção e irritação.
''Levamos o dobro de passageiros e cobramos o dobro, mas não há gasolina na cidade e não há segurança. É um preço justo para sair do inferno'', afirma Jaino Nony, dono de uma frota de ônibus.
''Esta é minha casa, esta é minha casa agora'', grita, apontando para a rua, Aanoz Richard, um padeiro de 40 anos que não teve condições de pagar o preço estabelecido para deixar Porto Príncipe.
Em outro ônibus que sai repleto de pessoas e bagagens com destino a uma cidade situada a cinco horas de estrada, uma família de 20 pessoas abandona finalmente a cidade. Eles passaram 24 horas negociando um preço e esperando alguém que levasse todos.
''Dizem que o governo está recebendo milhões, mas nós não vimos nada. Vivemos na rua como nossos filhos e temos que sair, apesar de nossa vida estar aqui'', lamenta Islaine, mãe de três filhos.
O êxodo de haitianos começa a ser percebido em alguns bairros da capital, sobretudo nos mais devastados, que com o passar dos dias vão ficando desertos.
''Os governos haitianos nunca fizeram nada por seu povo. Somos absolutamente dependentes de outros países. Não podemos esperar, cercados de mortos, que alguém venha nos ajudar'', critica Braubrin, professora.
A insegurança reinante e a falta de de coordenação das autoridades locais são as principais dificuldades apontadas pelas autoridades e as equipes de resgate. O presidente do Haiti, René Preval, ressaltou a resposta internacional, mas reclamou da coordenação ruim na entrega da ajuda que chega diariamente do exterior.
Um total de 6.000 presos fugiram das penitenciárias do Haiti, que ficaram parcialmente destruídas e sem vigilância. Segundo fontes do governo, do total de presos que fugiram, 4.000 estavam detidos na capital, Porto Príncipe, e um número importante havia sido condenado à prisão perpétua.


