São Paulo - O forte terremoto que atingiu o Haiti -e, principalmente, a capital Porto Príncipe- anteontem pode ter deixado milhares de mortos, disse o presidente do país, Rene Préval, em entrevista ao jornal ''Miami Herald''. Foi a primeira entrevista de Préval desde a tragédia. O premiê Jean-Max Bellerive, afirmou à TV americana CNN acreditar que os mortos ''estejam além dos 100 mil''.
Na entrevista, Préval afirmou que, após o terremoto, o cenário é ''inimaginável''. ''O Parlamento desabou. O escritório de finanças desabou. Escolas desabaram. Hospitais desabaram'', afirmou o presidente. Préval afirmou ter passado por diversas comunidades, todas atingidas. ''Há muitas escolas com muita gente dentro.'' Há pessoas presas também dentro do Parlamento, entre elas o presidente do Senado haitiano, Kely Bastien. ''Todos os hospitais estão cheios de gente'', afirmou.
''É uma catástrofe'', disse a primeira-dama haitiana, Elisabeth Préval. ''Estou pisando sobre corpos. Muita gente está soterrada sob prédios. O hospital geral desabou. Precisamos de apoio. Precisamos de ajuda. Precisamos de engenheiros'', disse.
O terremoto de 7 graus de magnitude na escala Richter, segundo medição do Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês), que atingiu o Haiti, deixou muitos prédios destruídos. Não há confirmação sobre o número de mortos, porém a expectativa é a de que sejam milhares. Entre os brasileiros, foram confirmadas 12 mortes, sendo 11 militares e a médica filantropa Zilda Arns.
Com uma agilidade que faltou no episódio da tentativa de ataque terrorista no Natal, o governo Barack Obama montou uma força-tarefa em poucas horas para lidar com a situação no Haiti. O próprio presidente veio a público, na manhã de ontem, para anunciar as medidas.
''Instruí meu governo a responder com um esforço rápido, coordenado e agressivo para salvar vidas'', disse o presidente, tendo ao lado o vice, Joe Biden, na manhã de ontem, em Washington. Obama disse que uma das prioridades era localizar os americanos que vivem no país -entre 40 mil e 45 mil, segundo o Departamento de Estado.
O esforço inclui o envio de ajuda humanitária, liderada pela Usaid, a agência de auxílio internacional dos EUA, mas também de times de militares, para restabelecimento de comunicações e infraestrutura e, se preciso, para garantir a segurança.
De acordo com a Usaid, foram deslocados times de resgate de três pontos dos EUA, compostos por 72 pessoas, seis equipes de cães farejadores e de resgate e 48 toneladas de equipamento. Segundo o Comando Sul do Pentágono, aviões da Marinha fizeram voos de reconhecimento de dano pela manhã e um time de 30 soldados saiu de Miami para ajudar no restabelecimento dos voos no Haiti.
Além disso, um porta-aviões, destróieres, helicópteros e pequenas embarcações já foram desviados para o Haiti.

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