Terremoto forçará cidade turística a mudar perfil
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sábado, 23 de abril de 2016
Diego Zerbato<br>Folhapress 
Pedernales - A 300 km de Quito, Pedernales era a praia dos moradores da capital equatoriana e também de Guayaquil. A cidade e os balneários vizinhos atraíam turistas e o dinheiro de famílias e investidores. Localidade mais afetada pelo terremoto do último sábado, viverá, a partir de agora, um desafio duplo. Depois de contar os mortos, que até agora são 172 só em Pedernales, seus moradores terão que lidar não apenas com a reconstrução, mas com a interrupção do turismo por tempo indeterminado ou a mudança de perfil econômico.
A perspectiva preocupa os pequenos comerciantes que investiram em restaurantes e serviços. "Pedernales vai ter que começar do zero. O turismo só deve voltar em uns dez anos e não tenho ideia de como vai ser", disse David Mendoza, de 52 anos, dono de uma quitanda em frente ao mar. Sem trabalho desde o terremoto, os pescadores José Gabriel Gamelozo, de 64, e Emilio Vilela, de 51, não sabem de onde vão tirar o seu sustento nos próximos dias. Eles foram impedidos de ir ao mar para pescar camarão porque a Capitania dos Portos proibiu a navegação devido ao risco de tsunami.
A produção deles era dividida entre os restaurantes da região e as processadoras de frutos do mar. Agora, só restará a segunda opção. "Não conseguimos gasolina, não há mais hotéis e as fábricas estão fechadas. De que vamos viver?", disse Gamelozo, cujo sobrinho sofreu duas fraturas quando um muro caiu sobre ele durante o tremor.
Eles afirmam não terem recebido a ajuda do governo até o momento. Já Maria José Palacios, cuja família tinha dois hotéis, reclama da falta de segurança e dos saques. "Tive que contratar seguranças para impedir o roubo do que sobrou", lamentou.
Assim como no resto da cidade, poucas construções restaram de pé na orla. Os quiosques, feitos de madeira e palha, foram os mais afetados.


