Terra 'rebate' primeira tempestade solar
Carlos Orsi Martinho
Agência Estado
De São Paulo
A primeira grande tempestade solar da série esperada para este ano que marca o ponto culminante do ciclo de atividade do Sol, que dura 11 anos passou pela Terra sem causar danos. Uma gigantesca onda de gás ultraquente, expelida pelo Sol no fenômeno conhecido como Ejeção de Massa Coronal (de corona, ou coroa, a camada mais externa do globo solar), foi refletida de volta ao espaço pela magnetosfera da Terra quatro horas depois de chegar ao nosso planeta, no último dia 20, e partiu sem causar qualquer incômodo, informam cientistas.
Este foi, no entanto, apenas o primeiro ataque do Sol à Terra, neste novo máximo solar, como o pico do ciclo de 11 anos é conhecido. Novas ejeções de massa são esperadas ainda esta semana. Esses fenômenos podem interagir com a magnetosfera a região do espaço influenciada pelo campo magnético terrestre e causar auroras boreais ou austrais intensas.
Caso as tempestades do Sol penetrem o escudo magnético da Terra, o vazamento de radiação poderá danificar equipamentos elétricos e eletrônicos, satélites artificiais, redes de telecomunicação e de distribuição de energia. Tempestades solares podem afetar até o senso de direção de pombos-correios, e uma delas foi responsável por um blecaute no Canadá, durante o último máximo solar.
Espera-se que este máximo solar seja um dos mais intensos dos últimos 130 anos, embora não deva se comparar à verdadeira tempestade sideral de 1958, quando foram avistadas mais de 200 manchas solares. No máximo de 1989, além do blecaute na província canadense de Quebec, o ciclone solar que chegou à Terra, no mês de março, causou problemas nas comunicações da Marinha dos EUA; em Toronto, também no Canadá, alarmes residenciais passaram a disparar em massa; na Europa, os moradores de Estocolmo (Suécia) viram suas luzes elétricas piscarem por alguns momentos, e um avião Concorde que cruzava o Atlântico teve sua rota alterada, para não expor os passageiros aos violentos raios gama emanados pela irrupção do Sol. Além disso, a acomodação da atmosfera da Terra que se expandiu por alguns momentos, absorvendo a onda de calor fez com que alguns satélites saíssem de suas órbitas corretas.
O máximo solar deverá durar pelos próximos meses, mas há a possibilidade de que a atividade do Sol permaneça em um grau exacerbado até 2005. Embora venham sendo observadas desde a Antiguidade há o caso de uma legião romana que, no ano 34 d.C., confundiu uma aurora intensa, causada pelo Sol, com o incêndio de uma cidade , as tempestades do Sol só passaram a ser realmente vistas como um problema para a humanidade na medida em que cresceu nossa dependência do uso de redes elétricas e de equipamentos de telecomunicação.
Com o surgimento do telégrafo e, depois, do rádio e do radar, a vulnerabilidade da civilização aos ciclos do Sol foi se tornando cada vez maior, e às vezes em situações de extrema emergência: por algum tempo, tempestades solares confundiram os radares da defesa antiaérea britânica, durante a 2ª Guerra Mundial.
Mas os danos causados por tempestades solares não se limitam aos sistemas que dependem de tecnologia: pombos-correios, golfinhos e baleias têm o senso de orientação afetado; a camada de ozônio também sofre. Há, ainda, estudos sobre efeitos do fenômeno no ciclo vital dos vegetais e no próprio clima da Terra.
Diversos cientistas, em todo o mundo, estão monitorando as atividades do Sol neste máximo solar. Caso uma onda de choque de proporções assustadoras seja emitida em direção à Terra, um alerta será emitido algumas horas antes que o gás hiperaquecido e radioativo chegue ao planeta. Na Internet, o principal site para acompanhamento da atividade solar é o Space Weather (literalmente, clima espacial), em http://www.spaceweather.com.Nesta semana a magnetosfera da Terra refletiu de volta ao espaço a primeira de uma série de tempestades solares esperada para este ano
EstrelaMáximo solar, que dura meses, será um dos mais intensos dos últimos 130 anos. Há a possibilidade de o Sol permanecer em um grau exacerbado até 2005





