TERRA ESTRANGEIRA

Ney de Souza

FUTEBOL NA TV ‘‘Vi todo mundo em frente à TV e achei que estivesse passando um jogo de futebol’’, contou o sacoleiro cearense Pedro Teles, de 40 anos, às 12h30, ao saber o motivo do fechamento da Ponte da Amizade. Teles mora em Fortaleza e viaja esporadicamente à fronteira para comprar mercadorias para revender. Neste ano, foi a primeira vez. ‘‘Não compensa mais vir comprar no Paraguai.’’ Ele foi a Ciudad del Este às 9 horas, duas horas antes do fechamento da ponte.


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UMA SOMBRA - Grávida de oito meses, Marilete Aparecida Dalcigio, de 24 anos, passou mal várias vezes e, mesmo assim, foi impedida pela barreira policial de cruzar a fronteira. Um oficial disse que, no máximo, ela poderia ‘‘sentar-se em uma sombra’’. Marilete estava acompanhada do marido, Orlando Quirino Alves, de 29 anos, dono de uma loja de importados em Ciudad del Este. O casal mora em Foz do Iguaçu e espera o primeiro filho.


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TURISTA EM PERIGO - A turista argentina Ana Nemtala, de 58 anos, que viajou a Foz do Iguaçu há uma semana, acompanhada da filha Mariana, de 32 anos, ficou retida no Paraguai quando foi fazer compras em Ciudad del Este. No início da tarde, aflita, Ana pedia a interferência do consulado argentino para conseguir sua liberação. Ela e a filha temiam perder o ônibus que as levariam a Buenos Aires, onde moram. O ônibus partiu às 15 horas, sem as turistas.


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SEM DOCUMENTOS - Ao tomar conhecimento do fechamento da ponte, o ‘‘laranja’’ (pessoa que é paga para cruzar a fronteira com mercadoria alheia) Antonio Barce de Lima, de 44 anos, correu para casa, em Foz, para buscar a identidade da filha, a balconista Cristina, de 16 anos, que trabalha em Ciudad del Este e foi ao Paraguai pela manhã sem documentos. Com muita sorte, Antonio conseguiu encontrar a filha na multidão retida na aduana paraguaia.

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