Termina evacuação da Ilha Miyake
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de setembro de 2000
Associated Press De Tóquio 
Seguindo a ordem de evacuação das autoridades japonesas, os últimos moradores deixaram ontem a ilha vulcânica de Miyake, ao sul de Tóquio, assolada por erupções e terremotos cada vez mais intensos. Foi programada uma visita à ilha do governador de Tóquio, Shintaro Ishihara, para averiguar a situação.
Os habitantes remanescentes as autoridades locais não souberam precisar quantos ainda permaneciam na ilha , partiram numa balsa no final do dia, com destino à Tóquio, segundo informou o oficial Toshikiko Yoshida, de Miyake.
A ordem é evacuar a ilha até amanhã, mas devem ficar ainda cerca de 400 pessoas, entre policiais, bombeiros e alguns funcionários públicos. A ordem de evacuação surgiu após a erupção do Monte Oyama pela oitava vez desde julho.
Mais de 60% da população de 3.855 pessoas de Miyake já partiu rumo ao continente. O governo preparou um esquema de evacuação que inclui abrigos em
Tóquio e o envio de navios para a ilha. No início do ano, 13 mil pessoas tiveram de abandonar uma região ao norte do Japão porque o vulcão do Monte Usu, que não se manifestava há 22 anos, entrou em erupção. Em 1986, todos os 10 mil moradores da ilha de Oshima, também tiveram de evacuar o local um mês após a erupção do vulcão Monte Mihara.
Os especialistas afirmaram que deslocamentos em gigantescos lagos subterrâneos de magma um produto rochoso fundido debaixo da crosta terrestre , são responsáveis pela recente atividade vulcânica e sísmica de Miyake.
Terra instávelOs caprichos do monte Oyama, muito acompanhados pela imprensa, acontecem quatro meses depois das erupções do vulcão Usu, no Norte do país, lembrando que o Japão é uma terra particularmente instável, já que se encontra situada no lugar de contato entre duas placas tectônicas. E para prevenir os cataclismos, as autoridades japonesas organizam anualmente um dia de mobilização, a 1º de setembro, aniversário do terrível terremoto de 1923, que matou 140.000 pessoas em Tóquio.
O primeiro-ministro Yoshiro Mori vestiu o uniforme de crise, de cor cáqui, para simular um forte tremor em uma zona urbana densamente povoada. As medidas contra os terremotos foram reforçadas depois do tremor de Kobe, que causou 6.400 mortos em 1995. Esta catástrofe demonstrou que o governo estava mal organizado para enfrentar a situação.
Desde então, o Governo foi de novo duramente criticado por sua má condução sobre o grave acidente nuclear de Tokaimura, que expôs a doses de radiação pelo menos 439 pessoas em setembro de 1999.
A Prefeitura de Tóquio organizará hoje o maior exercício, denominado Operação Socorro Tóquio 2000: salvar a capital. O exercício prevê que um tremor de magnitude 7,2 na escala de Richter causaria 7.000 mortos e 150.000 feridos, vítimas de desabamentos e incêndios.
Devemos estar preparados para o desconhecido, simular que os órgãos vitais do Estado sejam afetados, explica Toshiyuki Shikata, responsável pela administração de crises na Prefeitura.


