France PressDevoçãoPalestinos pulam um muro para chegar à mesquita em Jerusalém orientalO enviado especial norte-americano, Dennis Ross, concluiu ontem uma missão de cinco dias em Israel e nos territórios palestinos sem obter um resultado concreto que permita esperar qualquer avanço nas vitais negociações que acontecerão dentro de 11 dias em Washington.
O gabinete palestino, reunido sexta-feira à noite em Ramallah (Cisjordânia), acusou Israel de ‘‘buscar uma explosão, ao manter sua política de colonização’’, apesar do pedido norte-americano para observar uma ‘‘pausa’’.
Além disso, criticou Israel por ‘‘exacerbar uma situação já muito tensa e colocar em perigo o processo de paz’’, ao negar-se a dar ordens para que suas tropas sejam retiradas da Cisjordânia.
Ross, no entanto, estimou que sua missão serviu para preparar as conversações que acontecerão, em separado, entre o presidente Bill Clinton, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, nos próximos dia 20 e 22 na Casa Branca.
Estas conversações girarão em torno de quatro pontos: retirada militar, suspensão da colonização, cooperação antiterrorista e estatuto definitivo da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.
‘‘Estamos numa boa posição para transmitir os pontos de vista e as posições de ambas as partes, com a finalidade de que estas conversações sejam tão eficazes que tornem possível a reativação do processo de paz’’, declarou Ross depois de uma terceira entrevista com Arafat.
Esperança frustradaO diplomata, que se reuniu três vezes com Netanyahu, esperava voltar a Washington com um acordo sobre a retirada militar da Cisjordânia e outro texto que comprometesse a Autoridade Palestina a reprimir os integristas da Jihad Islâmica e do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), opostos ao processo de paz.
Entretanto, não conseguiu nada deles. Netanyahu apenas estuda retirar as tropas das zonas rurais da Cisjordânia, e isto depois de um período de experiência de cinco meses. Os palestinos rejeitaram a proposta. Os Estados Unidos insistem em que Israel deve retirar as tropas antes de meados deste ano, para cumprir seus compromissos. A retirada planejada por Netanyahu suporia a transferência para os palestinos do controle de 8% da Cisjordânia, menos dos 12% ou 15% desejados por Washington.
Segundo um dirigente palestino, Ross tentou organizar uma entrevista entre Netanyahu e o número dois palestino, Mahmud Abas, mas os palestinos não aceitaram, estimando que ‘‘não teria sentido’’ em função do projeto de construção de 600 casas nas colônias, anunciado esta semana por Israel.
Sexta-feira, o jornal ‘‘Haaretz’’ revelou que o Ministério da Habitação pretende construir 30.200 casas na Cisjordânia, o que significaria duplicar o número de colonos judeus neste território ocupado, mais um fator de discórdia entre as partes na região.

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