Termina a agonia: reféns estão livres
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terça-feira, 22 de abril de 1997
Reuter, de Lima 
France PresseResgateMilitares carregam um dos feridos durante a invasão à Embaixada do Japão, após fulminante e inesperada ação militar de resgateNuma ação fulminante, um número entre cem e duzentos soldados invadiu ontem a residência do embaixador japonês em Lima, matou todos os integrantes do comando sequestrador do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) e libertou os 72 reféns que estavam em poder dos rebeldes desde 17 de dezembro. Uma emissora de rádio peruana informou, logo após o encerramento da ação militar, que um dos reféns, o juiz Carlos Giusti, morreu, mas o presidente Alberto Fujimori negou a notícia, garantindo que todos os reféns foram libertados. A mesma fonte indicou que pelo menos dois militares morreram na invasão. Cinco dos cativos ficaram feridos e foram encaminhados a um hospital das proximidades.
A operação, que durou 36 minutos, começou por volta das 16h30 (horário de Brasília), quando cerca de 15 homens, usando máscaras antigás invadiram a mansão pela porta dos fundos. Cerca de 20 minutos depois do início da ofensiva, em meio a um intenso tiroteio, ouviu-se uma forte explosão no interior da casa. Parte do teto do edifício voou e a casa incendiou-se.
Num gesto simbólico, um soldado retirou a bandeira do MRTA colocada no jardim. Os outros comemoraram. Os 126 dias da mais longa ocupação de uma sede diplomática na América Latina haviam chegado ao fim.
O presidente peruano, Alberto Fujimori, chegou à casa 40 minutos após o primeiro tiro ter sido disparado. De uma residência vizinha à sede diplomática japonesa, cujos arredores foram transformados em campo de batalha, ele dirigia o final da operação. Depois de dar a ofensiva por concluída, os militares cantaram o hino nacional, fazendo, com os dedos, sinais de vitória.
A maior parte da ação militar foi transmitida pela TV. Os primeiros reféns a ser reconhecidos durante o resgate foram o ministro das Relações Exteriores peruano, Francisco Tudela, e o embaixador japonês, Morihisa Aoki. Inicialmente, informou-se que Aoki estava entre os feridos, mas, depois de terminado o ataque, o embaixador apareceu sorrindo e aparentemente bem de saúde. Também estava entre os libertados o embaixador da Bolívia, Jorge Gumucio.
O irmão do presidente Fujimori, Mario, o ministro da Agricultura, Francisco Mu¤ante, vários executivos de empresas japonesas que atuam no Peru, diplomatas, políticos, juízes e diplomatas estavam entre os reféns do MRTA. Antes da ação militar, integrantes da comissão mediadora - o monsenhor Juan Luis Cipriani, o representante da Cruz Vermelha Internacional no Peru, Michel Minnig, e o embaixador do Canadá, Anthony Vincent - garantiam que governo e rebeldes vinham mantendo negociações secretas em busca de uma solução pacífica para a crise.
Os guerrilheiros, liderados por Néstor Cerpa Cartolini, queriam a libertação de mais de 450 de seus companheiros que cumprem pena no país. Fujimori jamais aceitou a exigência.
Especialistas em desativação de explosivos entraram na residência após a ação. Eles buscavam minas que haviam sido colocadas em vários pontos da mansão pelos rebeldes logo nos primeiros dias da ocupação. Atrás do esquadrão antibomba entraram membros da Direção Nacional Contra o Terrorismo (Dincote) para fazer o reconhecimento dos cadáveres dos guerrilheiros.
O presidente Fujimori garantiu, logo depois da ação militar, que os 72 reféns estão sãos e salvos, apesar de notícias de uma rádio local e de um congressista peruano de que um juiz morrera durante a operação.
O presidente, que estava eufórico e recebia aplausos de populares nas ruas, fez a afirmação dentro de um ônibus que levava os reféns para um hospital, segundo mostraram imagens da televisão local.
A rádio, depois do comentário de Fujimori, afirmou que seu informe anterior era baseado em fontes extraoficiais.


