Bruxelas, Bélgica - A direção-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) voltou a pedir que os países adiem ao menos até o final de setembro reforços de vacinação contra Covid e disse que os dados conhecidos até agora justificam sua aplicação apenas em pacientes imunodeprimidos.

"Distribuir e administrar a primeira e a segunda doses em países com baixas taxas de vacinação continua sendo a prioridade", afirmou ontem a entidade à Folha, em resposta sobre a diferença de posição expressa na segunda por sua seção europeia.

O diretor regional da OMS na Europa, Hans Kluge, havia afirmado que "uma terceira dose da vacina não é um reforço de luxo retirado de alguém que ainda está esperando pela primeira injeção; é basicamente uma forma de manter os mais vulneráveis seguros".

Na semana passada, a vacinação de reforço foi descrita como um "erro técnico, moral e político" pelo diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus. Adotada no Brasil para idosos, ela também foi anunciada por mais de 30 países no mundo.

Segundo a direção-geral da agência da ONU, para pessoas em boa forma e saudáveis as terceiras doses são "um item de luxo" e impedem que se atinja a meta de vacinar ao menos 10% da população de cada país até o final de setembro.

"Quando os suprimentos globais são tão limitados, quando bilhões de pessoas ainda não receberam nenhuma dose, devemos nos concentrar em administrar a primeira e a segunda doses", diz a nota.

O pedido de adiamento das campanhas de reforço exclui "pessoas imunocomprometidas que não responderem suficientemente às suas doses iniciais ou não estiverem mais produzindo anticorpos", pois, de acordo com a OMS, "dados emergentes" mostram que, nesses casos, o reforço pode salvar vidas.

Também pode ser aberta uma exceção para países envolvidos no esforço global de fazer chegar imunizantes a outros países. " Se as terceiras doses são priorizadas para aqueles em maior risco, enquanto o acesso global às vacinas aumenta - como por meio de ampliação da produção e doação de doses para a Covax [consórcio que centraliza a compra e distribuição de imunizantes para mais de 100 países no mundo], então eles não devem ser vistos como privando outras pessoas de suas primeiras doses", afirma o comunicado da entidade.

Segundo a OMS, suas recomendações serão alteradas com base em estudos científicos. "Ainda estamos descobrindo mais sobre a duração e a força da proteção de diferentes produtos de vacinas em diferentes populações. Também não sabemos a segurança da administração de doses além do número administrado em ensaios clínicos."

Na segunda, Kluge reconheceu que não há evidências conclusivas, mas afirmou que a melhor forma de lidar com isso em política pública é comunicar de forma transparente que ainda faltam dados, indicar quais os riscos e benefícios e não adotar a vacinação como a única arma contra a pandemia.

Medidas como testes em grande escala, combate a aglomerações e uso de máscaras quando o distanciamento não é possível devem ser mantidas, mesmo com vacinação abundante e adoção de reforço, disse o diretor regional da OMS/Europa.

De acordo com a seção europeia, as decisões sobre as doses de reforço devem ser tomadas de acordo com o contexto de cada país, levando em conta a situação epidemiológica, o avanço da campanha de vacinação e a disponibilidade de vacinas.

Como exemplo, em um local em que a grande maioria da população esteja completamente imunizada, o número de casos entre vulneráveis esteja crescendo e haja vacinas disponíveis para todos, a terceira dose pode ser recomendada.

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