Em meio à polêmica envolvendo eventuais indenizações às vítimas da escravidão e ao conflito no Oriente Médio, a Conferência Mundial contra o Racismo terá início sexta-feira, em Durban, envolvida em um ambiente tenso, agravado por uma ameaça de greve geral na África do Sul. Tanto os Estados Unidos quanto Israel continuavam ameaçando boicotar a conferência, que vai até 7 de setembro. A Alta Comissária para os Direitos Humanos e secretária-geral da conferência, Mary Robinson, que chegou este fim de semana em Durban, convocou todos os países a participar do fórum. ''Queria dizer, novamente, que está claro que a fórmula 'sionismo igual a racismo' foi deixada de lado e não está na ordem do dia, garantiu Robinson, dissipando os temores americanos e israelenses.
Mas o Departamento de Estado americano anunciou segunda-feira que o secretário de Estado, Colin Powell, não irá a Durban, devido ao caráter antiisraelense do programa e a certos documentos preparatórios. Israel parecia decidido pelo boicote. O líder palestino, Yasser Arafat, indicou que poderá assistir à conferência, um sinal da importância do encontro para o mundo árabe, uma vez que o número de vítimas do conflito no Oriente Médio é cada vez maior.
Vinte chefes de Estado anunciaram sua participação, entre eles o cubano Fidel Castro, o senegalês Abdulaye Wade e o argelino Abdelaziz Bouteflika. Como parte da luta pelo fim do racismo, a terceira conferência mundial sobre o tema examinará as causas, medidas de prevenção e proteção, as soluções e os direitos das vítimas. Também há outros temas a ser discutidos, como o dos emigrantes, o dos povos nativos, o dos ciganos, a discriminação ligada ao sexo e a globalização.
Os países árabes e muçulmanos continuavam insistindo em que a questão palestina figurasse na agenda da conferência. Em entrevista a um jornal suíço, Robinson disse que ''Durban não pode resolver a questão do Oriente Médio, tampouco ignorá-la'', e evocou ''o sofrimento do povo palestino e o fato de os israelenses também serem vítimas da violência e da insegurança''.
Enquanto a conferência se destaca como um acontecimento de interesse mundial, durante o fim de semana o governo sul-africano não conseguiu fazer com que o Cosatu, poderosa central sindical, adiasse sua greve geral, convocada para hoje e amanhã.

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