Ansa
De Moscou
A ordem idealizada para os diversos grupos étnicos do Cáucaso neutralizou durante 70 anos os velhos conflitos da região, uma encruzilhada entre a Europa e Ásia, entre o Islã e o Cristianismo.
Quando a União Soviética começou a agonizar, em 1988 irrompeu o primeiro dos conflitos entre cristãos e muçulmanos em Nagorno-Karabakh, enclave armênio em território no Azerbaijão.
Nos últimos 10 anos, desde que a bandeira da URSS deixou de ser hasteada no Cáucaso, surgiram novos estados que procuram subtrair-se do antigo controle político e econômico de Moscou.
O recente descobrimento de enormes reservas petrolíferas que segundo estimativas, fazem do mar Cáspio o Kuwait do século XXI, exasperam os conflitos e confere-lhes dimensões internacionais.
Estes são os principais conflitos na região entre os mares Cáspio e Negro:
•KARABAKH – O conflito de Nagorno-Karabakh começou com o massacre de Sumgait, no Azerbaijão, em 28 de fevereiro de 1988, quando nacionalistas extremistas azeris mataram durante a noite 32 armênios e feriram outros 100.
O poder soviético já não conseguia controlar a situação, e aquela era uma região autônoma azeri, habitada em sua maioria por armênios, proclamou-se República Autônoma de Nagorno-Karabakh com a intenção de unificar-se à Armênia. Foi o começo de um conflito no qual morreram cerca de 30 mil pessoas e que terminou com um precário cessar-fogo em 1994.
Outro conflito teve início na Ossétia meridional, entre nacionalistas georgianos e de etnia turca. A etnia dos ossetinos está distribuída entre a Ossétia do Norte, uma república autônoma da Federação russa, e a Ossétia do Sul, uma região autônoma dentro da Geórgia.
• GEÓRGIA – Coincidindo com os enfrentamentos entre azeris e armênios na vizinha Azerdaijão, também na Geórgia as tensões interétnicas ficaram mais agudas, enquanto crescia um movimento nacionalista e independentista.
Em maio de 1991, foi eleito o presidente georgiano Zviad Gamsajurdia, um intelectual nacionalista, criticado por seu autoritarismo, que estreou suspendendo a autonomia dos ossetinos que não se resignaram e iniciaram uma luta armada.
A Rússia enviou uma força de interposição e em dezembro de 1991,uma revolta em Tbilisi teve início. Seu fim foi a queda de Gamsajurdia.
Meses depois foi eleito o presidente Eduard Chevarnadze – que continua no cargo – ex-ministro das Relações Exteriores durante a gestão do último presidente soviético, Mikhail Gorbatchov.
• ABKHÁZIA – Também na Geórgia surgiu o conflito de Abkházia, uma região autônoma na costa do Mar Negro cujos habitantes originais eram muçulmanos mas que logo foi colonizada culturalmente por migrações georgianas.
Em 1993, os muçulmanos proclamaram a independência e Shevardnaze respondeu com o envio de tanques, obrigados porém a retirar-se.
Em poucos meses morreram milhares de pessoas – em sua maioria civis assassinados por rebeldes – e quase 200 mil pessoas buscaram refúgio em outras zonas da Geórgia.
Tanques e tropas enviadas pelo presidente russo, Boris Yeltsin, a pedido de Chevarnadze, impuseram uma trégua a este conflito.
• DAGUESTÃO – Em 1998 algumas cidades do Daguestão declararam-se independentes de Moscou e já em 1999 a rebelião estendeu-se a outras cidades perto da fronteira com a Chechênia.
No começo de agosto uma coluna de guerrilheiros chechenos liderada por Shamil Basaiev ocupou alguns distritos a partir dos quais proclamou a ‘‘independência’’ do Daguestão.
Moscou interveio com tropas federais e reprimiu a revolta, acusando a Chechênia e os fundamentalistas muçulmanos dos países árabes pelo conflito.
• CHECHÊNIA – Em setembro de 1991 o ex-general do exército soviético Yojar Dudaiev, que foi aliado de Boris Yeltsin, proclamou a independência da república autônoma Checheno-Ingushétia. No ano seguinte a Chechênia se separou da Ingushétia.
Em dezembro de 1994, as tropas russas entraram na república para ‘‘restabelecer a ordem constitucional’’ e causando um conflito que já provocou de 50 mil a 80 mil mortes. Em 1996 uma trégua foi alcançada, mas em setembro de 1999 passou a ser desrespeitada.
Além destes conflitos principais, o Cáucaso russo registra outras tensões e choques interétnicos na República de Karatchais-Tcherkesses e disputas territoriais entre ingushétios e ossetinos que, em 1992-93, provocaram alguns combates na cidade de Vladikavkaz.

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