Dois palestinos, entre eles um garoto de 15 anos, foram assassinados por soldados israelenses ontem nos episódios mais violentos dos últimos quatro dias. Em diversas áreas, soldados responderam aos tiros disparados por palestinos que lideravam grandes protestos contra a renovação dos contatos com Israel.
O garoto de 15 anos, Muayed Darwish, foi baleado na cabeça durante um tiroteio nas proximidades de um enclave israelense na cidade cisjordaniana de Belém. Darwish passou algumas horas em estado de coma e respirando com a ajuda de aparelhos antes de ser declarado morto.
Em Gaza, nas proximidades da fronteira com o Egito, um tiroteio causou a morte de um policial palestino e deixou 38 manifestantes feridos. Em Nablus, na Cisjordânia, 19 palestinos ficaram feridos, dois deles em condições graves.
A violência representa uma mortalha sobre os esforços dos Estados Unidos para negociar uma trégua entre israelenses e palestinos em uma cúpula de emergência para o Oriente Médio em Sharm el-Sheik, Egito.
Ontem o número de mortes atingiu 99 em 19 dias de conflito. A maioria das vítimas fatais dos confrontos é palestina. Em passeatas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, milhares de palestinos expressaram sua oposição à negociação de um cessar fogo com Israel. ‘‘Sim à intifada (levante), não à cúpula’’, proclamava uma faixa assinada pela facção Fatah, do líder palestino Yasser Arafat, e exibida na cidade cisjordaniana de Ramallah.
Também em Ramallah, um bando de milicianos mascarados reuniu-se à procissão fúnebre pela morte de Raed Jaoud, de 30 anos, morto devido aos ferimentos sofridos durante confrontos com soldados israelenses na semana passada.
O bando marchou na linha de frente, empunhando seus rifles de assalto. Um jovem chegou a levantar um lançador de granadas. Ao fim dos funerais, os homens marcharam em direção a um posto de checagem israelense e abriram fogo contra os soldados.
No balneário No fim da noite, a tensa reunião de cúpula de emergência no balneário de Sharm el-Sheik, no Egito, parecia não ter produzido nenhum avanço em sua meta de estancar a violência nos territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia, que ontem entrou em seu 19º dia.
Um alto funcionário palestino disse que as partes se mantiveram em desacordo sobre todos os pontos e fontes israelenses assinalaram que em certo momento as conversações se transformaram numa guerra de gritos entre negociadores dos dois lados.
O presidente norte-americano Bill Clinton exortou os líderes palestino e israelense a deixarem de lado as acusações. ‘‘Não podemos defrontar-nos com um fracasso. O futuro do processo de paz e a estabilidade da região estão em jogo’’, disse Clinton, que pediu a criação de uma missão investigadora para determinar as causas dos enfrentamentos.
Ele se reuniu em separado com Barak e Arafat. A instauração de uma comissão internacional de inquérito é uma das reivindicações do presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, mas o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, só aceita sua formação se for conduzida pelos Estados Unidos, seus tradicionais aliados.
Barak também exige que a AP prenda extremistas palestinos libertados nas últimas semanas e ordene que suas forças de segurança parem de atirar contra os soldados israelenses.
Arafat quer que as forças de segurança israelenses se retirem para as posições que ocupavam antes do início da onda de violência e seja levantado o bloqueio dos territórios.
O chanceler israelense Shlomo Ben-Ami avaliou que será difícil sueprar as divergências. ‘‘Creio que existe uma profunda divisão de malentendidos, hostilidade e frustração.’’
Participam também das conversações o presidente do Egito, Hosni Mubarak, o rei da Jordânia, Abdullah, o alto representante para Segurança e Política Externa da União Européia, Javier Solana, e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.