Tensão envolve eleições na Colômbia
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de março de 1998
Henry Orrego France Presse 
Os colombianos comparecerão às urnas hoje para eleger novo Congresso, em meio à tensão gerada pelos violentos combates entre Exército e rebeldes, que na última semana abalaram as selvas do Sul do país.
Um número sem precedentes de candidatos, mais de 7.700 que integram as 1.010 chapas apresentadas por 88 partidos, disputarão 263 cadeiras (102 no Senado e 161 na Câmara), depois de uma campanha em que os políticos, além das pressões violentas, tiveram de suportar um grave descrédito por consecutivas denúncias sobre corrupção. A revelação dos vínculos entre os políticos e a máfia das drogas domina o cenário político desde abril de 1995, quando foi aberto um processo judicial que levou para a prisão 20 congressistas.
Com provas recolhidas nos arquivos dos encarcerados chefões do cartel de Cali, a Promotoria antecipou a investigação, cuja primeira conclusão foi de que essa organização mafiosa financiou com 6 milhões de dólares a eleição do presidente Ernesto Samper.
O mandatário foi contudo absolvido de responsabilidades pelas maiorias do governante Partido Liberal, que tem 147 (55%) das cadeiras do Legislativo, enquanto três dos principais dirigentes de sua campanha pegaram penas de prisão entre cinco e nove anos, ao serem processados por juízes de identidade protegida.
Na última semana, a Promotoria e a Procuradoria (da administração pública) revelaram que 220 dos candidatos estão sendo investigados por delitos como roubo, fraude ou violação ou receberam no passado punições por irregularidades no desempenho de funções públicas.
Não são claros, contudo, os efeitos que estas denúncias de corrupção terão sobre os eleitores.
A Igreja Católica, os empresários e fundações privadas fizeram campanhas convocando os votantes a vencer o tradicional abstencionismo, que nas legislativas da atual década sempre superou 50%.
O asco em relação aos políticos explica por exemplo que a única pesquisa de opinião publicada sobre as legislativas indicou que a chapa que mais votos pode conseguir (2,2%) é a de Edgar Perea, um popular locutor esportivo.
As duas principais guerrilhas, as marxistas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o guevarista Exército de Libertação nacional (ELN), intensificaram ações para sabotar as eleições com a explosão de bombas, a queima de veículos, o sequestro de prefeitos e o bloqueio de estradas.


