Tensão entre EUA e Rússia e poucos avanços do G8
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quarta-feira, 06 de junho de 2007
Folhapress 
São Paulo- A cúpula do G8 -sete países mais industrializados mais a Rússia- foi encerrada na noite de ontem com poucos avanços nas discussões sobre a mudança climática e em clima de tensão entre os líderes americanos e russos presentes no encontro na Alemanha.
Em mais uma tentativa de aplacar a ira russa com relação ao plano americano de instalar um sistema de defesa antimísseis no Leste Europeu, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou que não há necessidade de resposta militar do Kremlin. ''A Rússia não vai atacar a Europa porque os ocidentais não estão em guerra com a Rússia'', disse Bush.
A declaração foi uma resposta à ameaça recente do presidente russo, Vladimir Putin, de apontar seus mísseis em direção a alvos europeus caso os EUA insistam na implantação do escudo antimísseis. Hoje, no entanto, o porta-voz do Kremlin Dimitri Peskov também tentou minimizar a tensão. Ele afirmou que, enquanto Moscou ''responderá com total eficácia para garantir a segurança'' da Rússia, ''tomar a Europa como alvo é apenas uma possibilidade''.
A Casa Branca já mencionou o Irã e a Coréia do Norte como possíveis ameaças que o sistema de defesa deteria, mas Moscou afirma que não há uma ameaça concreta por parte destes países. Para o conselheiro de segurança da Casa Branca Stephen Hadley, ''não se trata de uma ameaça imediata''. ''É uma ameaça para a qual temos que nos preparar, e isso leva tempo'', afirmou.
A Rússia rejeita o plano por temer que o escudo torne mais vulnerável a capacidade militar russa, já em declínio nos últimos anos.
Um encontro que deve ocorrer entre Putin e Bush na tarde de hoje deverá servir também para diminuir a tensão provocada pelas críticas mútuas entre os dois governos.
Outros impasses deste primeiro dia da reunião anual do grupo esfriaram as esperanças da chanceler alemã, Angela Merkel. Os EUA derrubaram os ambiciosos objetivos de Merkel ao anunciarem que não concordarão com o estabelecimento de metas específicas para a redução na emissão dos gases poluentes. Bush afirmou, no entanto, que tem ''forte desejo'' de continuar a trabalhar com o G8 na questão e que não prejudicará as ações da ONU com relação às emissões.
Hoje, as cinco economias emergentes convidadas para a cúpula do G8 --Brasil, México, China, Índia e África do Sul--manterão uma reunião em Berlim.


