Tensão cresce em cúpula de Camp David
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terça-feira, 18 de julho de 2000
Associated Press De Thurmont, EUA 
O presidente norte-americano Bill Clinton negociou durante toda a noite, quase até o amanhecer desta terça-feira, enquanto a Casa Branca alertava que não há nenhuma quantidade aberta nem ilimitada de tempo restante para se obter um acordo de paz para o Oriente Médio em Camp David.
Com uma viagem de Clinton para o Japão programada para hoje, o líder do parlamento israelense sugeriu que as negociações poderiam ser encerradas com um acordo parcial sob o qual Israel reconheceria um Estado palestino.
Durante a noite, Clinton teve duas reuniões separadas com o primeiro-ministro israelense Ehud Barak, enquanto a secretária de Estado Madeleine Albright e o conselheiro de Segurança Nacional Sandy Berger reuniram-se com o líder palestino Yasser Arafat. Mais tarde Clinton encontrou-se com Arafat.
O trabalho de Clinton foi encerrado por volta das 9 horas GMT (6h da manhã em Brasília). Cinco horas mais tarde, ele voltou a reunir-se com Arafat. O presidente deverá deixar Washington na manhã de hoje para uma cúpula do G-8 no Japão.
É provável que qualquer acordo premie Arafat com o Estado Palestino almejado por ele há anos, mas Barak recebeu recomendações para se manter firme para que Jerusalém Oriental não passe à soberania palestina.
A zona leste da cidade foi tomada por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexada ao país. Essa ação nunca foi reconhecida pela comunidade internacional.
O apoio político a Barak está abalado. Ele enfrenta uma nova moção de censura no parlamento israelense aberta pelo partido religioso ultra-ortodoxo Shas, que abandonou a coalizão governista antes da cúpula de Camp David.
Consequentemente, os mediadores norte-americanos estão conscientes de que Barak precisa obter ganhos para os quais possa apontar, no caso de entrar em acordo com Arafat, para acalmar a oposição no que concerne à criação do Estado Palestino.
Em Jerusalém, o líder do parlamento israelense, Avraham Burg, disse que as negociações poderiam acabar com um acordo parcial sob o qual Israel reconheceria o Estado palestino.
Ao mesmo tempo, Burg afirmou que facilitará a apresentação de um projeto de lei para a realização de eleições antecipadas, justificando sua necessidade devido às mudanças políticas em Camp David.
De acordo com Burg, o reconhecimento de um Estado palestino por parte de Israel, na realidade, ajudaria a resolver outros temas.
Ao concluir anteontem a primeira semana da cúpula, o principal porta-voz de Clinton, Joe Lockhart, disse que o presidente tem intenções de partir para o Japão hoje, na hora planejada, mas deu a entender que as negociações estavam tensas ontem. Saberemos se cumpriremos o horário (da viagem) apenas quando o presidente subir as escadas. Lockhart se irritou com jornalistas que o questionaram se ele realmente estava por dentro das discussões em Camp David.


