Tensão antecipa decisão sobre Pinochet
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Enrique Fernández France Presse 
O futuro do ex-ditador chileno Augusto Pinochet será decidido, em parte, amanhã, quando sete juízes da Câmara dos Lordes darão seu veredito: ou continuará detido em Londres ou voltará ao Chile, onde cresce a tensão entre os que o apóiam e o repudiam. Se os lordes mantiverem sua detenção, ganhará força o julgamento de extradição solicitado pela Espanha, a pedido do juiz Baltasar Garzón, que investiga os crimes atribuídos a seu regime, entre 1973 e 1990.
A extradição surgiu como uma ameaça concreta para Pinochet no dia 25 de novembro passado, no mesmo dia em que completou 83 anos, quando os lordes da Lei desconheceram sua imunidade como ex-chefe de Estado e respaldaram a legalidade de sua surpreendente detenção, há cinco meses.
Seu ânimo se recuperou contudo quando no dia 17 de dezembro a Alta Corte de Londres acolheu a apelação de sua defesa, que havia impugnado um dos lordes por suas ligações com a organização humanitária Anistia Internacional.
A poucas horas da nova decisão dos juízes britânicos, em Londres e Santiago surgem indícios que antecipam uma decisão judicial desfavorável para o ex-ditador, detido na capital britânica desde 16 de outubro.
Os setores políticos chilenos, mas principalmente o governo e as Forças Armadas, estão avaliando com bastante pessimismo o resultado do veredito, afirmou domingo em editorial o jornal La Tercera. A visão do matutino chileno coincidiu com a do jornal Observer, de Londres, que em sua edição dominical também previu que os lordes ratificarão o primeiro veredito, de 25 de novembro.
Vários colaboradores do governo do presidente Eduardo Frei sofreram prisão e exílio sob o regime militar e por isso defendem a tese de que Pinochet deve ser julgado no Chile, onde tramitam 15 ações judiciais contra eles, acusando-o de ordenar assassinatos, torturas e o desaparecimento de 1.198 prisioneiros políticos.
Mas os familiares dos detidos desaparecidos, organizações de esquerda e inclusive o Partido Socialista, aliado da democracia cristã no governo de Frei, consideram que no Chile não há garantias para julgar Pinochet.
Desta perspectiva, se Pinochet recuperar sua liberdade e voltar ao país que governou com mão de ferro durante 17 anos, as pressões para que seja julgado irão aumentando e sairão às ruas, como já ocorreu no sábado, quando familiares dos desaparecidos desfilaram pelo centro de Santiago. Os partidários do general também saíram às ruas em caravana de automóveis e preparam um carnaval para recebê-lo.


