Tensão antecede o pleito venezuelano
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domingo, 06 de dezembro de 1998
Reuters 
Rumores de golpe, ameaças de violência, discursos radicais e denúncias de planos de fraude cercam a eleição presidencial venezuelana de hoje, a mais tensa do país das últimas décadas. Na liderança, disparada, das pesquisas está o ex-tenente-coronel Hugo Chávez, principal responsável pela tentativa de golpe de Estado contra o então presidente, Carlos Andrés Pérez, em fevereiro de 1992. Em segundo lugar, apoiado por todas as forças políticas que tentam barrar a ascensão do golpista ao poder, vem o economista Henrique Salas Romer, ex-governador do Estado de Carabobo.
A situação de Chávez nas pesquisas algumas das quais lhe dão até 25 pontos porcentuais de vantagem sobre Salas é tão confortável que até mesmo seu mais ferrenho inimigo político, Andrés Pérez, qualifica a vitória dele de inevitável. O ex-presidente, no entanto, tem sido a principal fonte dos boatos que vêm abalando a reta final da campanha eleitoral.
Andrés Pérez, destituído da presidência por corrupção e eleito senador na eleição legislativa de 8 de novembro, declara aos quatro ventos que um eventual governo Chávez seria deposto em menos de um ano.
O pleito venezuelano marca também o fim da era dos dois partidos mais tradicionais do país que se alternam no poder desde 1958, quando chegou ao fim a última ditadura da Venezuela. A Ação Democrática (AD, social-democrata) e o Comitê de Organização Político-Eleitoral Independente (Copei, democrata-cristão), com intenção de voto inexpressiva, abandonaram seus próprios candidatos respectivamente Luis Alfaro e a ex-miss universo Irene Sáez, no meio da campanha para declarar apoio a Salas Romer e tentar impedir a vitória de Chávez.
Irene entrou na campanha eleitoral, no começo do ano, como franca favorita. Apresentou-se como candidata independente, conhecida nacionalmente por sua beleza e pelo bom trabalho que realizou como prefeita do luxuoso distrito de Callao, na região metropolitana de Caracas. Ironicamente, seu índice de intenção de voto desabou semanas depois de ter-se tornado candidata presidencial do Copei.
Com a queda de Irene, a candidatura Chávez cresceu, abrindo o caminho para o avanço da candidatura Salas, que melhor representa a corrente anti-Chávez.
A campanha foi suja. Salas acusa Chávez de estar armando partidários para tomar o poder à força, caso não vença nas urnas, e acusa o adversário de ser um agente castrista por causa da amizade do ex-militar com Fidel Castro. Chávez tem denunciado um plano, promovido pelas forças reacionárias, de fraudar a votação em favor de Salas.
A eleição se decidirá num único turno e os 10.991.482 de votantes registrados estão obrigados a comparecer às urnas.


