Tensão
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de junho de 2001
France Presse De Gaza 
O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, conclamou ontem todas as forças de segurança palestinas a aplicação imediata de um cessar-fogo, após a ameaça israelense de responder com veemência ao atentado suicida de ontem na cidade de Tel Aviv
Para tanto, os órgãos de segurança palestinos terão de convencer os diferentes grupos fundamentalistas e radicais da OLP a não atentar contra objetivos e forças israelenses a partir de ontem.
Em um comunicado distribuído à imprensa, a Autoridade Palestina indicou que foram ativados os contatos com todas as facções islâmicas e nacionalistas, incluindo o Hamas e a Jihad Islâmica, organizações responsáveis pela maior parte dos atentados contra alvos israelenses.
O braço armado do movimento islâmico palestino Hamas reivindicou a autoria do atentado suicida que matou 20 pessoas, incluindo o seu autor, e feriu mais de 100 na noite da última sexta-feira, em Tel Aviv. Um comunicado do movimento foi enviado à France Presse em Damasco.
As autoridades israelenses mantiveram ontem Arafat sob uma forte pressão, para que este decretasse o cessar-fogo nos territórios palestinos. Mais cedo, Israel havia suspenso seu cessar-fogo unilateral, decretado há onze dias, mas decidiu dar tempo para que Arafat tentasse controlar a situação antes de esboçar alguma resposta.
Contra-ataque Caças-bombardeiros F-16 israelenses sobrevoaram ontem a Faixa de Gaza, enquanto o governo de Israel examinava eventuais respostas ao atentado suicida que causou 20 mortes na sexta-feira em Tel Aviv, informaram testemunhas.
Segundo essas fontes, aviões de combate fizeram vôos rasos na cidade de Gaza (Norte), no campo de refugiados de Jan Yunes (Sul) e na cidade de Rafah (Sul).
Aviões F-16 israelenses realizaram no dia 18 de maio bombardeios nos territórios palestinos, matando 12 pessoas em represália a um atentado suicida em Netânia (Oeste) no qual houve seis mortes.
Foi a primeira vez que Israel bombardeou territórios palestinos desde que os ocupou em junho de 1967, o que provocou muita inquietação na comunidade internacional.
Resposta Unidades antiaéreas do Exército libanês abriram fogo ontem contra caças israelenses que realizavam uma missão de reconhecimento sobre o Líbano, informaram funcionários da segurança.
O episódio representaria a primeira resposta dos libaneses aos vôos sobre seu território da Força Aérea do país vizinho desde que os israelenses se retiraram do Líbano no ano passado.
Os aviões de combate voaram a uma altitude média sobre o sul do Líbano e o Vale de Bekaa, pela manhã e na tarde de ontem. O Exército libanês abriu fogo de suas baterias antiaéreas na região, mas não alcançou nenhuma aeronave, segundo oficiais libaneses.
Em Israel, um porta-voz do Exército disse que nenhum caça do país foi atacado, embora não tenha admitido que os aviões tenham sobrevoado o Líbano. Efetivamente, os sobrevôos chegaram até Beirute, a capital libanesa.
O porta-voz se limitou a dizer que não houve fogo dirigido aos aviões israelenses de combate.


