Paris - A temporada de furacões na região do mar do Caribe se caracterizou este ano por fenômenos meteorológicos mais violentos do que de costume, culminando com o ciclone Ivan, esperado atualmente no litoral dos Estados Unidos, declarou ontem um especialista do Instituto francês de Meteorologia, Jerome Lecou.
A frequência dos furacões durante a temporada 2004 (julho-outubro) está de acordo com a média (5,4) dos últimos 30 anos, sendo o Ivan o quinto registrado desde julho, informou. Entretanto, destacou ''notória'' violência dos ciclones - foram observados dois da categoria 4 e um da categoria 5.
A temporada começou com o Alex (31 de julho), que alcançou a categoria 3. Depois, foi a vez do Charley (9 de agosto, categoria 4), Danielle (13 de agosto, categoria 2), Frances (25 de agosto, categoria 4) e Ivan. A tempestade tropical Jeanne, que atinge atualmente o nordeste do mar Caribe e pode se tornar um ciclone, mas não deve ultrapassar a categoria 1 ou 2, segundo Lecou.
A violência do Ivan, que deve atingir o sul dos Estados Unidos na manhã desta quinta-feira, é explicada pela trajetória peculiar do fenômeno, determinante na sua força. ''Teve uma estratégia muito marítima. Passou por ilhas de dimensões pequenas e consequentemente não perdeu muito sua força em terra'', afirma o especialista.
De fato, explicou Lecou, um ciclone extrai sua força dos elementos marinhos: a temperatura das águas, que vai permitir a formação do vapor d'água, e ''as reservas deste mesmo vapor permitirão ao ciclone se desenvolver''. ''Um ciclone cuja trajetória o leva para terra perderá muito rápido sua força'', explicou.
Os serviços meteorológicos da França não têm explicações ainda para a força anormal dos ciclones de 2004. Lecou considera que não está claro que as águas do Golfo do México, atualmente entre 27 e 29 graus, estejam mais quentes do que nos anos anteriores.
O especialista lembra que além disso, no passado, aconteceram fenômenos mais violentos. Em 1998, houve o Mitch, da categoria 5, que causou 11 mil mortes, principalmente na América Central e no final do século XVIII o Grande Furacão causou 22 mil mortes no Caribe.

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