Uma quase tragédia vem à tona quando se fala de represas e sítios arqueológicos. Dois templos construídos pelo faraó Ramsés 2º – que reinou de 1279 a.C. a 1213 a.C.– foram desmontados e erguidos de novo num platô 60 metros acima da localização original, entre 1963 e 1968.
A operação foi feita principalmente com fundos recolhidos pela ONU para evitar que os tesouros arqueológicos fossem cobertos pelas águas do rio Nilo, represadas pelo Egito no sul, na fronteira com o Sudão.
Quatro estátuas de 20 metros de altura de figuras sentadas de Ramsés na frente dos templos exigiram um complexo trabalho de engenharia para o transporte. Era necessário salvar até as ‘‘pichações’’: nos pés das estátuas existem inscrições feitas por mercenários gregos.
Assuã foi um projeto considerado prioritário pelo governo nacionalista de Gamal Abdel Nasser (1956-70) para programas de irrigação. Nasser usava o mesmo argumento da Turquia em relação a Zeugma: o bem da população e o progresso deveriam prevalecer.
Realmente, pela primeira vez na história da humanidade, as cheias do Nilo puderam ser controladas, e uma enorme quantidade de energia elétrica é produzida anualmente.
O governo chinês pretende construir até 2009 a barragem de Três Gargantas no rio Yang-tsé, que se tornará a maior usina hidrelétrica do mundo.
A obra deverá inundar uma área de cerca de 1.100 km2 ao formar um lago de cerca de 600 km de extensão. Ambientalistas já se mobilizam para salvar sítios arqueológicos.

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