Paris - A temperatura da superfície terrestre poderá aumentar em 4,5 graus Celcius se os níveis de dióxido de carbono (CO2) dobrarem com base em índices pré-industriais, mas um aquecimento ainda maior não pode ser descartado, adverte o esboço de um relatório, que foi discutido ontem pelos maiores especialistas sobre o clima reunidos em Paris.
O esboço, discutido linha por linha no encontro de quatro dias do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), expressa de forma inflexível que as evidências da influência humana sobre o sistema climático são agora mais fortes do que nunca.
E as emissões de dióxido de carbono (CO2) liberadas neste século afetarão o aquecimento global e a elevação do nível do mar ''por mais de um milênio'', em vista do tempo que leva para que esta poluição causada pela queima de combustível fóssil se dissipar, reforça.
Entre outras coisas, o documento declara ser ''muito provável'' que ondas de calor e tempestades se tornarão mais frequentes, a queda de neve deverá diminuir, e tufões e furacões se tornarão menos frequentes, porém mais poderosos.
Segundo o projeto, a temperatura já se elevou 0,74º Celcius no último século. Seus autores consideram ''muito provável'' - uma possibilidade de mais de 90% - que a elevação desde meados de 1900 tenha sido causada por gases de efeito estufa produzidos pelo homem. Em seu último relatório, de 2001, o IPCC considerou esta possibilidade como ''provável'' em 66% ou menos.
Onze dos últimos 12 anos foram detectados como os mais quentes registrados. A temperatura média dos oceanos aumentou em profundidades de pelo menos 3 mil metros, demonstrando que as águas estão absorvendo o calor da atmosfera. O aquecimento dos mares provocou sua expansão, que responde por 60% a 70% da elevação de 1,8 mm ao ano do nível global dos mares entre 1961 e 2003. O restante desta elevação correspondeu à contração das camadas de gelo na Antártica e na Groenlândia.
Entre os efeitos previstos para este século, estão: a cobertura de neve continuará a diminuir e a profundidade do degelo se acelerará na maior parte das regiões com solo permanentemente congelado; os níveis dos mares se elevarão entre 28 e 43 centímetros, dependendo dos níveis de CO2. Na estimativa de 2001, a variação era de 9-88 centímetros; a cobertura de gelo marítimo diminuirá tanto no Pólo Norte quanto no Pólo Sul.

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