Assunção- ''Trampa'', que em espanhol significa fraude, trapaça, é uma das palavras mais ouvidas nos últimos dias nas ruas de Assunção. Denúncias de manipulações diversas e um histórico de corrupção e uso ostensivo da máquina pública em favor do Partido Colorado sustentam a desconfiança geral da população sobre a legitimidade das eleições deste domingo para a Presidência do Paraguai.
Os principais candidatos são o ex-bispo católico Fernando Lugo, que lidera as pesquisas, a governista Blanca Ovelar, ex-ministra da Educação, e o general reformado Lino Oviedo, libertado no ano passado após cumprir metade da pena de dez anos a que foi condenado por tentativa de golpe em 1996.
''Blanca'', responde o taxista Albino Guzmán à pergunta sobre quem vence. ''Não sei se ganhará para valer, mas (o presidente) Nicanor (Duarte) não vai entregar se for outro o resultado. Vai fraudar para não perder. Todo mundo sabe que Castiglioni ganhou as internas, mas fraudaram, pois Blanca é candidata do Nicanor.''
Embora boa parte dos paraguaios se mostre revoltada com o espectro da fraude, a resignação do taxista é um sentimento ainda muito comum no país. A suposta manipulação de dados nas primárias coloradas a que se refere o taxista -que fez o derrotado, Luis Castiglioni, afastar-se da campanha de Blanca-, não é nem exclusividade dos governistas.
As internas do PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), principal sigla de oposição, que integra a coalizão de Lugo, foram igualmente marcadas por acusações de manipulação para beneficiar Federico Franco, que venceu Carlos Mateo Balmelli por estreita diferença na disputa pelo posto de vice da aliança -quando pesquisas, supostamente manipuladas, davam larga vantagem a Franco.

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